Revista Espírita · Allan Kardec
Capítulo 17 de 118
O doente e o médico
Conto dedicado ao Sr. Redator do Renard, de Bordeaux, pelo Espírito batedor de Carcassonne. “Não há como aguentar, doutor; é muito forte, Exclamava, outro dia, o Sr. Rochefort! Tomai-me o pulso, e vede estou doente; De uma mania o globo é preso inteiramente. Ele faz crer que Deus perdeu sua função; Ele baixa… e eu maldigo o globo inteiro, então. E começo a vapor… É assim que se caminha? Onde os tempos enfim de uma berlinda minha? Tempos sem risco algum de o pescoço quebrar, Que de Paris a Sceaux um grupo a viajar? Em progresso falar!… Ridículo, doutor! Lançado a toda brida, o orbe soluça em dor; É qual horrível caos!…Um cabo a transportar De Calais a Pequim palavras sob o mar. Um alfaiate faz costuras sem agulhas; Tira-se da água fogo e de algodão fagulhas; Mau pintor por pincéis um aparelho usando, Retratos venderá que o sol vai fabricando! Glória, glória ao passado! O século se envala Esbraveja a igualdade; o povo tem a fala! De escrever em Bordéus, Sabò faz avisado! Examinai, doutor, tudo está transtornado. Dos charlatães terei de desnudar a pele; Com a breca! Informarei o chefe da Etincelle; É lá que, sabre à mão, um crânio nos defende; Não é tudo, doutor, ó escândalo! pretende Alguém de La Fontaine assumindo expressões, De um Espírito tal para nos dar lições.” - Ici, de Rochefort cuspiu, baixando a voz: “No Espírito, doutor, com fé já crede vós? Ah! Responde o doutor! insincero, não posso, O Espírito?… Não creio, amigo… nem no vosso.” Nota. – Este conto, cujo mérito deixamos ao leitor julgar, foi obtido espontaneamente pela tiptologia, como outras encantadoras poesias do mesmo médium, a propósito de um espirituoso artigo do Sr. Aug. Bez, inserido no Renard, que deseja franquear suas colunas aos adeptos do Espiritismo. Etincelle é um outro jornal de Bordeaux, redigido pelo Sr. Rattier, que lança fagulhas contra o Espiritismo com o objetivo de o incendiar, mas que, até agora, só conseguiu produzir uma iluminação semelhante à das centelhas dos fogos de artifício, que se apagam antes de tocar a terra. Quanto ao Sr. Rochefort, certamente achará esta poesia malsã.