Revista Espírita · Allan Kardec
Capítulo 102 de 118
O Espiritualismo racional.
Este trabalho notável e consciencioso é obra de um distinto cientista, que se propôs tirar da própria Ciência e da observação dos fatos a demonstração da realidade das ideias espiritualistas. É uma peça adicional em apoio da tese que sustentamos acima. [Reação das ideias espiritualistas.] Mais ainda, porque é um primeiro passo, quase oficial, da Ciência, na via espírita; aliás, logo será seguido, e disto temos certeza, por outras adesões ainda mais retumbantes, que levarão os negadores e os adversários de todas as escolas a refletirem seriamente. Bastará citar o trecho seguinte para mostrar em que espírito é a obra concebida. Acha-se à página 331.
“Vê-se — e é indubitavelmente um sinal dos tempos — a seita espiritista, que já tive ocasião de mencionar, no § 15, tomar uma rápida expansão entre pessoas de todas as classes e das mais esclarecidas, sem contar o lamentável e saudoso Jobard, de Bruxelas, que se havia tornado um dos mais atentos campeões da nova doutrina.
“É fato que, examinando esta doutrina, seja mesmo na pequena brochura do Sr. Allan Kardec, O que é o Espiritismo? impossível é não notar o quanto é clara sua moral, homogênea, consequente consigo mesma, quanta satisfação dá ao espírito e ao coração. Ainda que lhe tirassem a realidade das comunicações com o mundo invisível, restar-lhe-ia sempre isto, e é muito, é o bastante para provocar numerosas adesões e explicar seu sucesso sempre crescente. Quanto às comunicações com o mundo invisível, creio ter demonstrado cientificamente que não só eram possíveis, mas deveriam ocorrer todos os dias durante o sono. A inspiração em vigília, cuja autenticidade ou natureza, de acordo com o que eu disse, é impossível pôr em dúvida, é, aliás, uma comunicação deste gênero, embora possa haver casos em que não seja senão o resultado de um maior grau de atividade do Espírito. Agora, que se constata que a comunicação se traduz por noções estranhas ao médium que as recebe, nada vejo aí que não seja eminentemente provável; em todo o caso, é uma questão que pode ser resolvida na ausência dos sábios, que cada médium, que tem a medida de seus conhecimentos no estado normal, e as pessoas de sua família e de seu convívio podem julgar melhor que ninguém, de tal sorte que se o Espiritismo todos os dias faz prosélitos fora da questão moral, é que aparentemente produz bastante médiuns para fornecer a prova de seu estado particular a quem quer que os deseje examinar sem ideias preconcebidas. “A moral, tal qual a compreendo e a deduzi de noções científicas — não temo reconhecê-lo — tem numerosos pontos de contato com aquela transmitida pelos médiuns do Sr. Allan Kardec; também não estou longe de admitir que se nas páginas por eles escritas muitas há que não ultrapassam o alcance ordinário do espírito humano, inclusive o deles, deve havê-las, e as há, de um alcance tal que lhes seria impossível escrever outras idênticas nos seus momentos ordinários. Tudo isto não me leva menos a desejar que uma doutrina, que não oferece o menor perigo, mas, ao contrário, eleva o espírito e o coração tanto quanto é possível desejá-lo, no interesse da sociedade, se expanda diariamente cada vez mais. Porque, segundo o que tenho lido, calculo que é impossível ser espírita sem ser homem de bem e bom cidadão. Conheço poucas religiões das quais se possa dizer o mesmo.” Allan Kardec.
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Um volume in-12. 3 fr. 50 c., livraria Didier.
Le spiritualisme rationnel - Google Books.
Paris. — Typ. de Cosson et Ce rue du Four-St-Germain, 43.