Revista Espírita · Allan Kardec

Capítulo 72 de 125

Carta ao jornal de Saint-Jean-D’Angely.

Encontramos a carta seguinte no jornal de Saint Jean-d’Angely, de 15 de junho de 1862:

“Ao Sr. Pierre de L…, redator substituto do jornal Le Mellois.

“Numa carta dirigida ao Mellois de 8 de junho último, lançais um desafio ao que chamais a pequena igreja de Saint Jean-d’Angely. Ofendido por ter sido repelido pelo Sr. Borreau, que não vos quis receber, voltai-vos contra seu colega em Espiritismo, a fim de o interrogar. Sem ser o médium notável que designais sob uma transparente inicial, tomo a liberdade de vos apresentar algumas observações.

“Qual teria sido o vosso objetivo ao lançar um desafio, primeiro ao Sr. Borreau, depois aos espíritas de Saint Jean-d’Angely, para que evocassem a alma de Jacques Bujault? Uma brincadeira para pôr fim à guerra civil e intestina que parece querer ensanguentar os campos férteis do Poitou? Se assim é, penso que deveis compreender que a dignidade das pessoas sérias e conscienciosas, que acreditam firmemente nas teorias estabelecidas sobre os fenômenos, cuja certeza reconheceram, lhes impõe não se associem ao vosso jogo. Como os cépticos, tendes liberdade, certamente, de rir dessas teorias. Como sabeis, senhor, na França riem de tudo. No entanto, por melhor que fosse a vossa brincadeira, ela não é nova e, entre outros, certo cronista do jornal ao qual dirijo a presente, já se havia servido dela em seu começo. “Se levantastes a questão com seriedade, permiti dizer-vos que não seguistes o caminho adequado para atingir o objetivo. Não seriam os sarcasmos contidos no vosso primeiro artigo que iriam persuadir o Sr. Borreau de vossa sinceridade. Era-lhe perfeitamente.licito duvidar e não vos permitir que discutísseis a evocação do prior que conheceis, como se fora mero esboço espiritual. Do mesmo modo, não são as vossas observações satíricas sobre a completa inutilidade do Espiritismo e sobre as dissidências que dividem os seus adeptos que irão convencer o Sr. C… da boa-fé com a qual reclamais suas luzes. Se, pois, realmente tendes a intenção de resolver esse problema, eis, em minha opinião, o meio mais rápido e mais conveniente: Vinde ao cenáculo e aí, despojado de qualquer ideia preconcebida, fazendo tábua rasa de todas as prevenções anteriores, examinai friamente os fenômenos que se produzirão em vossa presença e os submetei ao critério da certeza. Que, se uma ou duas vezes temeis ser vítima de alucinações, repeti as vossas experiências. Como o Cristo a Tomé, o Espiritismo vos dirá: Vide pedes, vide manus, noli esse incredulus.

“Todos os que matais passam muito bem.”