Revista Espírita · Allan Kardec

Capítulo 148 de 148

O diabrete familiar

Jamais me comuniquei convosco e me sinto muito feliz por aumentar a vossa plêiade literária. Bem sabeis, vós que lestes com tanto gosto, que intuição eu tinha por aquilo a que chamam o mundo fantástico. Muitas vezes só, nas longas noites de inverno, recolhido a um canto de meu lar solitário, eu escutava o gemido das notas plangentes do vento. Enquanto o olhar distraído seguia vagamente os desenhos inflamados do fogo, por certo o duende doméstico me entretinha, e eu não inventava Trilby — Google Books: repetia o que ele me havia murmurado ao ouvido atento. Que coisa encantadora sentir que vivem à nossa volta esses hóspedes invisíveis! Com eles, nada de mistérios: eles vos amam, mau grado vosso, e vos conhecem melhor que vós mesmos. Na minha vida literária, na minha vida de homem, devo a esses amigos invisíveis os meus melhores sucessos e minhas mais caras consolações. É a minha vez de murmurar agora, aos ouvidos amigos, as coisas que o coração adivinha e não repete. É vos dizer, caro médium, que muitas vezes terei o doce privilégio de conversar convosco.

Charles Nodier.

Allan Kardec.

Paris. — Typ. H. CARION, rue Bonaparte, 64.

[1] [v.

Charles Nodier.]