Revista Espírita · Allan Kardec
Capítulo 106 de 148
Os Espíritos puros
Os puros Espíritos são aqueles que, chegados ao mais alto grau da perfeição, são julgados dignos de ser admitidos aos pés de Deus. O infinito esplendor que os envolve não os dispensa de ser úteis nas obras da Criação: as funções que devem preencher correspondem à extensão de suas faculdades. Esses Espíritos são os ministros de Deus; sob suas ordens, regem os mundos inumeráveis; dirigem do alto os Espíritos e os humanos; estão ligados entre si por um amor sem limites, e esse ardor se estende sobre todos os seres que procuram atrair para se tornarem dignos da suprema felicidade. Deus se irradia sobre eles e lhes transmite suas ordens; eles o veem sem serem ofuscados por sua luz. Sua forma é etérea, nada tendo de palpável; falam aos Espíritos superiores e lhes comunicam sua ciência; tornam-se infalíveis. Em suas fileiras é que são escolhidos os anjos-da-guarda, que bondosamente baixam o olhar sobre os mortais, e os recomendam aos Espíritos superiores, que os amaram. Estes escolhem os agentes de sua direção nos Espíritos de segunda ordem. Os Espíritos puros são iguais, e nem poderia ser de outro modo, pois somente são chamados a essa posição depois de haverem atingido o mais alto grau de perfeição. Há igualdade, mas não uniformidade, porquanto não quis Deus que nenhuma de suas obras fosse idêntica. Os Espíritos puros conservam sua personalidade, que apenas adquiriu a perfeição mais completa no sentido de seu ponto de partida. Não é permitido dar mais detalhes sobre esse mundo supremo. [Vide:
Observações Preliminares.]
Georges.