Revista Espírita · Allan Kardec

Capítulo 100 de 107

O despertar de um Espírito.

Nota. – Estes versos foram escritos espontaneamente por meio de uma cesta, tocada por uma jovem senhora e um menino. Imaginamos que mais de um poeta sentir-se-ia honrado de sua autoria. Eles nos foram comunicados por um de nossos assinantes. Que bela é a Natureza e como é doce este ar! Senhor! Graça te rendo em de joelho te amar! Num hino de alegria e reconhecimento Quero elevar a ti todo o meu sentimento; Como aos olhos, então, de Marta e de Maria, A Lázaro da tumba ao retirá-lo, um dia; De Jairo, tu também, a filha bem-amada Devolveste-lhe a voz, tornando-a reanimada; Do mesmo modo, ó Deus! tu me estendeste a mão; “Levanta-te!” – disseste. E não falaste em vão. Por que eu, se não sou mais que lodo, em vil arranjo? Queria te louvar e com a voz de um anjo; A tua obra jamais me pareceu tão bela! Sou como alguém que sai da noite ou de uma cela Para um dia mais puro e de luz deslumbrante, De um sol radioso e quente em vida inebriante. Mais doce é o ar então que o leite e o próprio mel; No céu, somam-se os sons num concerto fiel. E dos ventos a voz exala uma harmonia Que cria, num vazio, eterna sinfonia. O que o Espírito vê, o que lhe toca o olhar Lá, no livro dos céus, pode ler e sonhar; Dos mares na amplidão, em vagalhões profundos, Nos oceanos, enfim, os abismos, os mundos, Tudo se faz esfera e, em meio aos raios seus Em convergência, orando a gente chega a Deus. Ó tu, cujo olhar plana assim sobre as estrelas, E te ocultas no céu como um rei para vê-las, Qual a tua grandeza, enfim, nesse universo Que não é mais que um ponto, ao teu olhar imerso Dos mares sobre o espaço, em resplendor intenso? Qual, pois, tua grandeza e teu poder imenso? Que palácio tão vasto, ó rei, tu construíste! Separar-nos de ti seria muito triste. O sol posto a teus pés, num poder sem medida, Parece o ônix que um rei tem no sapato, em vida. No entanto, o que mais amo em ti, ó majestade, Bem menos que a grandeza, é essa tua Bondade Que se revela em tudo, até na luz que aquece Meu impotente ser na exaltação da prece. Jodelle.