Palavras sublimes · Autores diversos · Chico Xavier

Capítulo 41 de 78

Lembrança - Abel Gomes

1 Ismael, Deus te abençoe, Trazendo-te ao coração Os júbilos do trabalho Em luzes de redenção.

2 Nunca julgues que te esqueço. No altar de minhas lembranças, Vives sempre nas saudades Do meu jardim de esperanças.

3 Ah, meu querido, o sepulcro Não passa de mero umbral Que se dirige ao país Da vida espiritual.

4 Embora a beleza augusta Da morada que me abriga, Sinto falta da ternura De tua bondade amiga.

5 A morte que nos transforma, Que alivia a nossa dor, Não aniquila a saudade Nem apaga o nosso amor.

6 Quando Jesus me permite, Relembro, sempre ao teu lado, Nossas flores de outro tempo, Nossas lutas do passado.

7 Nas bênçãos de teu trabalho, À luz da meditação, Recebo-te os pensamentos E dou-te o meu coração.

8 Como vês, as nossas cartas, Nossa velha convivência, Continuam sempre ativas Em santa correspondência.

9 Não sofras, nem desanimes Nos serviços da verdade. Deus ampara os teus labores De paz e fraternidade.

10 Recorda que o Cristo amado É o sol que nos ilumina. E lembra que estamos unidos No lar da união divina. Abel Gomes Reformador — Maio de 1943. [1] Segundo consta do original, o soneto foi psicografado em sessão pública, sem referência de data, do Centro Espírita Luiz Gonzaga, em Pedro Leopoldo, Minas Gerais, e dirigido a Ismael Gomes Braga, presente na ocasião. O Espírito comunicante era seu tio e amigo íntimo.