Palavras sublimes · Autores diversos · Chico Xavier
Capítulo 77 de 78
Introdução.
O Reformador, órgão de divulgação da Federação Espírita Brasileira, é o mais antigo periódico espírita ainda em circulação no Brasil. Lançado em 21 de janeiro de 1883, não foi o primeiro divulgador do Espiritismo. Antes, surgiram os pioneiros O Écho D’Além-túmulo, a Revista Espírita, a Revista da Sociedade Acadêmica Deus, Christo e Caridade, O Renovador, entre outros. Naquela época, o Espiritismo dava ainda os seus primeiros passos no Brasil. Somente em 1875 é que chegaram ao Brasil as primeiras obras de Allan Kardec traduzidas para a língua portuguesa. Aqueles primeiros anos da Doutrina Espírita no Brasil haviam sido marcados pela criação dos primeiros grupos espíritas, pela realização do primeiro congresso e da primeira exposição para a divulgação da Doutrina Espírita, mas também pela perseguição ao Espiritismo e o fechamento das suas instituições. Foi nesse cenário que surgiram as primeiras páginas de Reformador no início de 1883, tendo a própria Federação Espírita Brasileira sido criada no final daquele mesmo ano, a 27 de dezembro.
Resgatamos, a seguir, um texto de nossa primeira obra espírita, que conta um pouco sobre o lançamento de Reformador:
“O mais antigo órgão de divulgação do Espiritismo no Brasil, ainda em circulação, é o Reformador, órgão oficial da Federação Espírita Brasileira.
O Reformador iniciou os seus trabalhos em 21 de janeiro de 1883, com a denominação de Reformador - Órgão Evolucionista. Somente um ano depois, com a fundação da Federação Espírita Brasileira, é que o Reformador passou a ser o órgão oficial da FEB.
O responsável pelo lançamento do Reformador foi o fotógrafo português Augusto Elias da Silva, que havia sido membro da Comissão Confraternizadora da Sociedade Acadêmica Deus, Cristo e Caridade e fundador do Grupo Espírita Menezes.
Com recursos tirados de seu próprio bolso, Augusto Elias da Silva criou a oficina do Reformador no seu próprio ateliê fotográfico, à Rua São Francisco de Assis 120, sobrado (hoje Rua da Carioca), onde residia com a sua família.
O Reformador surgiu em forma de jornal quinzenal, com quatro páginas e um reduzido número de assinantes. Boa parte dos jornais eram distribuídos gratuitamente. Mesmo assim, Augusto Elias da Silva sustentou o seu objetivo de fundar e conservar um órgão de propaganda espírita na Corte do Brasil. Para assumir a Direção Intelectual do Reformador, Augusto Elias da Silva chamou o Major Francisco Raimundo Ewerton Quadros. A tarefa não foi das mais fáceis, já que o Espiritismo era combatido com furor e ridicularizado por aqueles que sequer se interessavam em conhecer o seu conteúdo. Alguns escritores analisaram esse período com muita propriedade: “Naquela hora as forças católicas estavam em marcha. Dos púlpitos fluminenses despejavam-se insultos e insinuações. Sendo impossível ao católico, como disse Carlos de Laet, distinguir o Demônio invisível do seu evocador visível, o “ódio por dever de consciência” era contra o espírita. Não se pensava em salvar o “endemoninhado”. Segundo a lei de Moisés, citada na Pastoral, cumpria exterminá-lo.” (Bezerra de Menezes, Canuto Abreu) “Fundar e conservar um órgão de propaganda espírita, na Corte do Brasil, era, naquela época, de forma a entibiar o ânimo dos espíritas mais resolutos. Todas as baterias do Catolicismo estavam assestadas contra o Espiritismo. Dos púlpitos brasileiros, principalmente dos da Capital, choviam anátemas sobre os espíritas, os novos hereges que cumpria abater.” (Grandes Espíritas do Brasil, Zëus Wantuil) A situação da Imprensa Espírita também não era das melhores, conforme nos conta o autor Zêus Wantuil:
“A imprensa espiritista, para poder sobreviver, pedia uma orientação mais firme e perseverante, em que a renúncia e a abnegação constituíam fatores decisivos para alimentar uma tiragem irrisória, que não cobria as despesas de confecção, em vista de perfazerem os assinantes um número reduzido, de cem a duzentos, sendo o excedente de exemplares, geralmente o dobro, distribuído gratuitamente.”