Poetas redivivos · Autores diversos · Chico Xavier
Capítulo 22 de 117
O Livro Divino - Castro Alves
1 Gemia a Terra humilhada, A noite do cativeiro Dominava o mundo inteiro Sob o carro da opressão; Com mandíbulas vorazes De loba que se subleva, Roma, encharcada de treva, Estendia a escravidão.
2 Entre as águias poderosas, Jazia Atenas vencida, Carpia Cartago a vida Ligada a grilhão cruel. Na Capadócia, na Trácia, Na Mauritânia e no Egito, O povo chorava aflito, Tragando cicuta e fel.
3 O frio invadira os templos, Não mais Eros de olhar brando, Nem bela Afrodite amando, Nem Apolo encantador; O Olimpo dormira em sombra, Cessara a graça de Elêusis, Não surgiam outros deuses, Que não fossem do terror.
4 Mas quando o mal atingira O apogeu da indiferença, Disse Deus na altura imensa: “Faça-se agora mais luz!” E um livro desceu brilhando, Para a História envilecida: Era o Evangelho da Vida, Sob as lições de Jesus.
5 Tremeram dourados sólios, O orgulho caiu de rastros; Arcanjos vinham dos astros Em cânticos de louvor. Mas ao invés da vingança, Contra o ódio, contra a guerra, O Livro pedia à Terra: Bondade, Perdão e Amor…
6 Começara o novo Reino… Horizontes infinitos Descerraram-se aos aflitos, Perdidos nos escarcéus; Os fracos e os desditosos, Os tristes e os deserdados, Contemplaram, deslumbrados Novos mundos, novos céus.
7 Desde então a Humanidade Trabalha, cresce, porfia, Ao clarão do novo dia, Por escalar outros sóis; E a mensagem continua, Em sublimes resplendores, Formando Renovadores, Artistas, Santos e Heróis.
8 Espíritas, companheiros Da grande Luz Restaurada, Tracemos a nossa estrada, Na glória do amor cristão; E servindo alegremente Na luta, na dor, na prova, Busquemos na Boa-Nova O Livro da Redenção. Castro Alves