Poetas redivivos · Autores diversos · Chico Xavier

Capítulo 102 de 117

Caso de morte - Cornélio Pires

1 A morte que vem à vida Na força do Eterno Bem É visita inesperada Que não faz mal a ninguém.

2 Na criatura cansada De doença ou provação, Ela aparece na estrada Por doce libertação.

3 Mas a morte provocada, Por mais que a luta nos doa, É fruto amargo no tempo Que estraga qualquer pessoa.

4 Quem pede para morrer Sem calma e fé, a contento, Na hora solicitada Encontra arrependimento.

5 Nesse passo, meus amigos, Vou contar-vos, tal e qual, Um caso que aconteceu, Na Fazenda do Brejal.

1 Nhá Quirina casada com Nhô João Pedia, ao Céu, em prece repetida: — “Quero a morte, meu Deus!… Quero outra vida… Este mundo é só fel e confusão.”

2 Tanto rogou, clamando na oração, Que tombou de uma febre, em recaída, E, certa noite, a Morte, de corrida, Veio ao quarto buscá-la, de arrastão…

3 Ela acordou aflita em tosse brava, O esposo, junto dela, ressonava, Enquanto viu a Morte, olhando os dois…

4 Nhá Quirina encolheu-se num gemido E resmungou, no canto do marido: — “Leva agora Nhô João, que eu vou depois!…” Cornélio Pires