Paz e alegria · Autores diversos · Chico Xavier

Capítulo 24 de 24

Ao companheiro da Terra - Américo Falcão

1 Pensei que a morte ocultasse A noite pesada e fria, E a morte deu-me outra face Dos sonhos de cada dia. *

2 Acolhe, afaga e conserva O passo sem ilusão.

Toda carne é igual à erva Que nasce e retorna, ao chão. *

3 Se a flama do amor te invade, Não tentes ócio e prazer. Amor é felicidade A refulgir no dever. *

4 O verbo enfeitado e ameno, De muita beleza humana, Parece mel com veneno Em taça de porcelana. *

5 Remorso fremindo em chaga, Na desculpa que alivia, É como a dor que se apaga Ao toque da anestesia. *

6 Esse diamante que vês, De faces luminescentes, Viveu séculos talvez No chavascal de serpentes. *

7 Ergue ao Céu a moradia Da própria felicidade. Na Terra toda alegria Paga imposto de saudade. *

8 Escritor que atende ao mal Dando o mal por satisfeito, Da pena talha o punhal Que, um dia, lhe vara o peito. *

9 Quando o corpo, inerte, expira, Notamos, amargamente, Quanta gente na mentira, Quanta mentira na gente. *

10 Afirmas que é hipocrisia Sorrir para a falsidade. Mas que outra coisa seria O ensino da caridade? *

11 Humilhado! Mesmo assim, Perdão é a glória que levas. A noite ensombra o jardim, O jardim perfuma as trevas. *

12 Muita cautela, Maria, Cuidado no coração.

Um namoro, cada dia… Amor não é isso, não. *

13 Evita a palavra turva, Sê claro, de longe ou perto. Na estrada de muita curva, O desastre chega, certo. *

14 Não condenes quem resvala Onde o vício se avolume. Muita flor que enfeita a sala Nasceu na fossa de estrume. *

15 Desfaz-se a ostra em escolhos, Brilha a pérola na rua. A morte nos cerra os olhos, Mas a vida continua. Américo Falcão [1] O título entre parênteses é o mesmo da mensagem original publicada originalmente em 1962 pela FEB e é a 25ª lição da 1ª Parte do livro “Antologia dos Imortais.” — Esse capítulo foi restaurado: Texto do livro impresso.