Ponto de encontro · Jair Presente · Chico Xavier

Capítulo 11 de 21

Teoria e prática

1 João Cota chamou o filho, Conhecido por Joãozinho, E passou a prepará-lo Para as lutas do caminho.

2 Estava perto, na mesa, Uma garrafa aprumada, Com líquido claro e leve Sobre toalha bordada.

3 O pai falou ao rapaz: — “Ouça o que vou lhe dizer: O líquido à nossa frente É o veneno do prazer.

4 “Foi garapa açucarada De cana que se cultiva, Passou por transformações E agora é uma “cousa viva”.

5 “Foi muito doce, mas hoje É fogo na vida humana, Tem o nome de aguardente, Cachaça, pinga, umburana…

6 “Dizem que vem de mandraca, É vapor de algum feitiço, Tomba a pessoa na rua, Tira o homem do serviço.

7 “Creio que vem do demônio Que anda em canaviais, Furta a mulher do marido, Separa o filho dos pais…”

8 O pai calou-se um momento, Mas voltou com voz segura: — “Prometa, meu filho, agora, Não beber essa loucura.”

9 Joãozinho explicou-se, humilde: — “Pai, o seu verbo é uma lei!… Dessa praga na garrafa Não quero, nem beberei…”

10 Houve silêncio entre os dois, Mas o pai de mão alçada Baixou-a, certa na pinga, E engoliu à talagada.

11 O moço aflito, pergunta: “Meu pai, o que vejo eu? Esse líquido é veneno E, acaso, o senhor bebeu?”

12 O velho desapontado Falou, de cara amarela: — “Sim, filho, a pinga é um veneno Mas não sei passar sem ela.” Jair Presente