Presença de Chico Xavier · Depoimentos diversos / Mensagens familiares · Chico Xavier

Capítulo 21 de 42

Ao meu caro Quintão/Casimiro Cunha

1 Quintão, eu sei da saudade Que te aperta o coração, Dos nossos dias passados, Que tão distantes se vão.

2 Vassouras!… belas paisagens Cheias de vida e de cor, Um céu azul e estrelado Cobrindo uns ninhos de amor.

3 Árvores fartas e verdes Pela alfombra dos caminhos, A ermida branca e suave De ternos, doces carinhos.

4 O nosso amigo Moreira E a sua barbearia, Onde uma vez me encontraste Na minha noite sombria.

5 Detalhes cariciosos Da vida singela e calma, Vida de encantos divinos Que eu via com os olhos d’alma.

6 Meus pobres versos — “Singelos”, “Aves implumes” da dor, Que traduziam no mundo O meu pungente amargor.

7 A minha pobre Carlota, A companheira querida, O raio de claridade Da noite da minha vida.

8 Os artigos do Bezerra De outros tempos, no “O País”, O mestre da Velha Guarda, Unida, forte e feliz.

9 A tua doce amizade À luz do Consolador, Teu coração generoso De amigo, irmão e mentor.

10 Ah! Quintão, hoje os meus olhos Embebedam-se de luz, Pelas estradas sublimes Da santa paz de Jesus!

11 Mas não sei onde a saudade É mais forte nos seus véus, Se pelas sombras da Terra, Se pelas luzes dos Céus. Casimiro Cunha Esta poesia singela e, por assim dizer, intimamente pessoal; foi recebida em circunstâncias imprevistas e timbra episódios velhos de mais de 30 anos, que o médium não podia conhecer, atento mesmo a sua banalidade. Singelos e Aves Implumes são títulos de dois pequenos volumes de versos publicados em começos do século. Carlota é o nome da esposa do poeta cego, também cegada de uma vista, por acidente, depois de casada. (Nota de M. Quintão). [1] “Parnaso de Além-Túmulo” Fed. Esp. Brasileira, 8ª edição, págs. 191 e 421. E às págs. 224 e 234-5 da 10ª edição.