Palco iluminado · Jair Presente · Chico Xavier
Capítulo 4 de 23
A desculpa
1 Antônio Homero de Souza, Professor e cientista, Dizia com seriedade Ao amigo João Batista:
2 — “João, dê amparo às crianças… Nossa vida ruralista Chega a ser calamidade. Observe e fique certo, Os nossos males extremos, A meu ver, mais da metade, Vem daquilo que bebemos.
3 “Conheço muitas famílias, Formadas por gente nossa, Que se servem de água impura, De poço perto de fossa…
4 “Há pessoas que consomem Venenos de água parada, Meninos soltos nas ruas Sorvendo grossa enxurrada!
5 “Noto pessoas distintas, Que tomam banho em lagoa, Na cultura de micróbios, Pensando que é cousa à-toa…
6 “E os alcoólicos? Nem sei O que se vê por aí.
É licor de jenipapo, De araticum e pequi…
7 “São muitos os imprudentes, Passo vão, cabeça oca, Que morrem, antes do tempo, Qual o peixe pela boca…
8 “Precisamos de campanhas, Fazê-las inda não pude, Alguém deve proteger A defesa da saúde.”
9 João, que estava impressionado Por tudo quanto escutara, Dirigiu-se ao professor, Perguntando, cara a cara:
10 — “E o senhor, Doutor Antônio, Preservando a própria vida, O que usa com frequência Em matéria de bebida?”
11 O professor respondeu, Sem qualquer tom de chalaça: — “A fim de que eu viva bem, Só bebo a nossa cachaça…”
12 À pressa, porém, pensou Na grande malícia humana, E falou para Batista: — “Mas a cachaça que eu bebo, Tem sementes de umburana.” Jair Presente