Palco iluminado · Jair Presente · Chico Xavier
Capítulo 21 de 23
Surpresa
1 Materializados, nós dois, Eu e o amigo Eleutério, Conversávamos contentes Junto a grande cemitério.
2 Falávamos sobre a morte, Que nos liberta e ilumina… Vimos o horário não longe, Eram duas da matina.
3 De repente muda a cena, Sem ensaiarmos a peça, Eis que um rapaz vem chegando, No passo de muita pressa.
4 Tomáramos nossa forma De tal modo que, no fundo, Éramos nós dois rapazes Ou dois moços vagabundos.
5 O companheiro saudou-nos No habitual “boa noite”; Retribuímos sorrindo… Ele disse, muito amável: — “Vejam que o Céu está lindo!”
6 E mostrando inquietação, Cochichou, como em segredo: — “Vocês me desculparão, Mas, perto de cemitério, Sinto sempre muito medo…
7 Rogo a vocês me perdoem, Entretanto, estimaria Que vocês comigo andassem, Nestes sítios de silêncio, Sendo minha companhia!…”
8 — “Pois não!”, falou Eleutério, E pusemo-nos a andar… O moço desconhecido Continuou a falar:
9 — “Eu mesmo não sei por que, Até meus pés ficam tortos, Tenho frio e a boca seca, Se passo perto dos mortos…
10 Vocês compreendem, não?” E eu respondi com cuidado: — “Eu também, quando entre os homens, Sentia um medo danado…
11 Mas desde que faleci, Pois sou igualmente morto, Troquei o medo que eu tinha Por mais vida e reconforto…”
12 Aí notei que o rapaz Que seguia ao nosso lado, Caiu na calçada fria, Claramente desmaiado. Jair Presente