Palco iluminado · Jair Presente · Chico Xavier
Capítulo 15 de 23
O furto não compensa
1 Dizem que o sábio Confúcio, Notável mestre chinês, Foi, um dia, procurado Por manhoso camponês.
2 De começo, disse o homem: — “Mestre, perdoe!… Sou ladrão!… Auxilie-me a encontrar Minha própria salvação…”
3 — O que há? — falou Confúcio. E o amigo respondeu: — “Perdão para as faltas minhas!… Sem intenção, cada noite, Furto quarenta galinhas…
4 Mestre, o que devo fazer Contra esse enorme delito? Ando agora acabrunhado, De espírito amargo e aflito.”
5 O sábio aclarou sereno, Em voz amiga e pausada: — “Meu amigo, você sabe, Na justiça que nos rege, Cada galinha roubada Exige uma chicotada.
6 Volte a casa e faça preces, Corrija-se e viva, em suma, E, de agora para a frente, Esteja são ou doente, Não furte galinha alguma!…”
7 Despediu-se o consulente E falou a sós consigo: — “Seguirei o mestre amigo, Mas não sou precipitado. Atenderei a Confúcio, Nas linhas do meu desejo, Não furtarei no atacado, Mas furtarei no varejo…”
8 Na noite que se seguiu, Ele roubou trinta e nove, Depois rezou: “Deus me valha!… Que a minha fé se renove!…”
9 Na outra noite, ele furtou Até somar trinta e oito E clamou: “Que o Céu me ampare! Não devo ser muito afoito!…”
10 Nova noite e ele empalmou As coitadas trinta e sete. Logo após, rezou: “Pai Santo Só busco o que me compete!…”
11 Outra noite: Trinta e seis. E mais outra: Trinta e cinco. Ele orou: “Pai de Bondade Preciso de mais afinco!…”
12 Chegando o fim da tarefa, Que consistia no furto, Ei-lo nas mãos da polícia, Que o prendeu no passo curto.
13 Ante as faltas confessadas, O pobre morreu gemendo, Nas quarenta chicotadas. Jair Presente