Parnaso de Além-Túmulo · Autores diversos · Chico Xavier

Capítulo 43 de 58

Lucindo Filho

Nascido em Minas Gerais a 16 de agosto de 1847 e falecido em Vassouras a 1 de junho de 1896. Médico, jornalista, compositor musicista e tradutor renomado. Latinista de prol, conta em sua bibliografia Poemetos, Virgilianas, Flores Exóticas, etc. Sem sombras

1 Junto ao sepulcro onde a saudade chora E onde o sonho das lágrimas termina, Abre-se a porta da mansão divina Entalhada em reflexos de aurora.

2 Não mais a noite; vive em tudo, agora, A beleza profunda e peregrina, Envolvida na luz esmeraldina Da esperança que vibra e resplendora.

3 Sem as sombras das lutas desumanas, A alma vitoriosa entoa hosanas, Ébria de paz e de imortalidade.

4 Não lamenteis quem parta ao fim do dia, Que a sepultura em cinza escura e fria É a nova porta para a Eternidade.

Lucindo Filho [1] Vide nota 3 no fim do volume. [É a nota a seguir.] — Esta produção surgiu de improviso no curso de uma reunião familiar em que se não cogitava de assuntos espíritas. O poeta desencarnou no século passado e o médium é deste século; e conquanto fosse intelectual de prol, a seu tempo, é hoje um nome esquecido, fora dos meios culturais. Ninguém ali o conhecera nem dele se lembraria exceto uma senhora que, em menina, lhe assistira aos funerais, em Vassouras, onde ele tem precioso jazigo.