Parnaso de Além-Túmulo · Autores diversos · Chico Xavier

Capítulo 38 de 58

José Duro

Poeta português, nasceu em 1875 e desencarnou em 1899. Musa amargurada, deixou um livro — Fel — que apareceu poucos dias antes da sua morte e foi prefaciado por Forjaz de Sampaio. Henrique Perdigão classifica-o como o “Cantor da Tristeza”. Aos homens

1 Volta ao pó dos mortais, homem que vens, depressa, A chave procurar do enigma que encerra A paragem da morte, o mais além da Terra, Onde o sonho termina e a vida recomeça.

2 Volve ao sono cruel da tua carne obscura, Amassa com o teu pranto o pão de cada dia, Vai com o teu padecer sobre a estrada sombria, Para depois ouvir a voz da sepultura.

3 Tomé, coloca as mãos na tua própria chaga, Perambula na dor da tua noite aziaga, Porque a treva e o sofrer sempre hão de acompanhar-te!

4 Reconhece o quanto és ignorante ainda. A vida é vibração ilimitada, infinda, E o seu grande mistério existe em toda parte. Soneto

1 Pouco tempo sofri na Terra ingrata e dura Onde o mal prolifera, onde perece o amor, Entre a sufocação de um sonho superior E a esperança na morte, a triste senda escura.

2 Até que um dia a morte amiga e benfazeja Apodreceu meu corpo em sua mão gelada, E minhalma elevou-se à rutilante estrada Onde o Espírito encontra a paz que tanto almeja..

3 Algum tempo eu sofri, ao pé do corpo imundo, Escravizado ao pranto, agrilhoado ao mundo, Prisioneiro da mágoa, amortalhado em dor!

4 Mas depois a oração libertou-me da pena, E pude, então, voar para a mansão serena, Onde fulgura o sol do verdadeiro amor. José Duro