Parnaso de Além-Túmulo · Autores diversos · Chico Xavier

Capítulo 4 de 58

Alberto de Oliveira

Fluminense, nascido em Palmital de Saquarema, em 1859, e falecido em Petrópolis, em 1937. Farmacêutico, dedicou-se principalmente ao Magistério. Membro fundador da Academia Brasileira de Letras, parnasiano de escol, foi tido como Príncipe dos Poetas de sua geração. Jesus

1 Quanta vez, neste mundo, em rumo escuro e incerto, O homem vive a tatear na treva em que se cria! Em torno, tudo é vão, sobre a estrada sombria, No pavor de esperar a angústia que vem perto!…

2 Entre as vascas da morte, o peito exangue e aberto, Desgraçado viajor rebelado ao seu guia, Desespera, soluça, anseia e balbucia A suprema oração da dor do seu deserto.

3 Nessa grande amargura, a alma pobre, entre escombros, Sente o Mestre do Amor que lhe mostra nos ombros A grandeza da cruz que ilumina e socorre:

4 Do mundo é a escuridão, que sepulta a quimera… E no escuro bulcão só Jesus persevera, Como a luz imortal do amor que nunca morre. Ajuda e passa

1 Estende a mão fraterna ao que ri e ao que chora: O palácio e a choupana, o ninho e a sepultura, Tudo o que vibra espera a luz que resplendora, Na eterna lei de amor que consagra a criatura.

2 Planta a bênção da paz, como raios de aurora, Nas trevas do ladrão, na dor da alma perjura; Irradia o perdão e atende, mundo afora, Onde clame a revolta e onde exista a amargura.

3 Agora hoje e amanhã compreende, ajuda e passa; Esclarece a alegria e consola a desgraça, Guarda o anseio do bem que é lume peregrino…

4 Não troques mal por mal, foge à sombra e à vingança, Não te aflija a miséria, arrima-te à esperança. Seja a benção de amor a luz do teu destino. Do último dia

1 O homem, no último dia, abatido em seu horto, Sente o extremo pavor que a morte lhe revela; Seu coração é um mar que se apruma e encapela, No pungente estertor do peito quase morto.

2 Tudo o que era vaidade, agora é desconforto. Toda a nau da ilusão se destroça e esfacela Sob as ondas fatais da indômita procela, Do pobre coração, que é náufrago sem porto.

3 Somente o que venceu nesse mundo mesquinho, Conservando Jesus por verdade e caminho, Rompe a treva do abismo enganoso e perverso!

4 Onde vais, homem vão? Cala em ti todo alarde, Foge dessa tormenta antes que seja tarde: Só Jesus tem nas mãos o farol do Universo. Alberto de Oliveira