Parnaso de Além-Túmulo · Autores diversos · Chico Xavier
Capítulo 29 de 58
Emílio de Menezes
Poeta brasileiro, nascido em Curitiba, em 1866, e desencarnado no Rio de Janeiro em 1918. Musa vivacíssima e fulgurante, sem deixar de ser profunda, era sobretudo ativamente humorística. Legou-nos Poemas da Morte, 1901, e Poesias, 1909, além de Mortalhas, versos satíricos postumamente colecionados. Distinguiu-se pela altaneza dos temas, quanto pela opulência das rimas. Eu mesmo
1 Eu mesmo estou a ignorar se posso Chamar-me ainda o Emílio de Menezes, Procurando tomar o tempo vosso, Recitando epigramas descorteses.
2 Como hei-de versejar? Rimas em osso São difíceis… contudo, de outras vezes, Eu sabia rezar o Padre Nosso E unir meus versos como irmãos siameses.
3 Como hei-de aparecer? O que é impossível É ser um santarrão inconcebível, Trazendo as luzes do Evangelho às gentes…
4 Sou o Emílio, distante da garrafa, Mas que não se entristece e nem se abafa, Longe das anedotas indecentes. Aos meus amigos da Terra
1 Amigos, tolerai o meu assunto, (Sempre vivi do sofrimento alheio) Relevai, que as promessas de um defunto São coisa inda invulgar no vosso meio.
2 Apesar do meu cérebro bestunto, O elo que nos unia, conservei-o, Como a quase saudade do presunto, Que nutre um corpo empanturrado e feio.
3 Espero-vos aqui com as minhas festas, Nas quais, porém, o vinho não explode, Nem há cheiro de carnes ou cebolas.
4 Evitai as comidas indigestas, Pois na hora do «salva-se quem pode», Muita gente nem fica de ceroulas… Emílio de Menezes