Parnaso de Além-Túmulo · Autores diversos · Chico Xavier
Capítulo 18 de 58
B. Lopes
Nasceu Bernardino da Costa Lopes em Boa Esperança, município de Rio Bonito, no Estado do Rio, a 19 de janeiro de 1859, falecendo em 1916, no Rio de Janeiro, quando funcionário do Correio Geral. Notabilizou-se no gênero descritivo. Miragens celestes I
1 Sublimes atmosferas. Luminosas, rarefeitas, Sem as medidas estreitas Das horas que marcam eras.
2 E as almas puras, eleitas, Quais flores das primaveras, Buscando vão as Esferas Das alegrias perfeitas.
3 Vão todas, espaço em fora, Como lírios cor da aurora, Modeladas pela dor.
4 E onde passam sorridentes Abrem-se rosas virentes, Rosas de paz e de amor. II
1 Uma campina de flores Em pleno espaço infinito, Onde desperta um precito De um pesadelo de dores.
2 Envergara o sambenito Dos pedintes sofredores, Vivera entre os amargores De um sofrimento bendito.
3 E nessa etérea campina Recebe a esmola divina, Nesse batismo de luz;
4 Recebendo entre outros gozos, Dos lábios de anjos formosos, O ósculo de Jesus.
Cromos I
1 Na alcova desguarnecida, Sobre uma enxerga, a doente Soluça como quem sente O fim nevoento da vida.
2 Beija-lhe a filha inocente, Minúscula, embevecida, Mirando-a enternecida, Dizendo-lhe docemente: —
3 «Não chores mais mamãezinha: Vou dar minha bonequinha À santa lá do altar;
4 E com esta minha promessa, Ela há-de vir bem depressa Para a senhora sarar.» II
1 O mendigo desprezado Olha as estrelas e chora, Pois sente que se enamora Do firmamento estrelado.
2 Ao seu Jesus bem-amado, Cheio de lágrimas, ora, E pede, suplica, implora Perdão para o seu pecado.
3 Veem-se raios formosos. Dimanando luminosos, Do clarão da sua fé;
4 E lá dos Céus abençoa Sua alma singela e boa, O Jesus que ele não vê. B. Lopes