Chico Xavier: O Primeiro Livro · Autores diversos · Chico Xavier
Capítulo 83 de 100
Sonetos/Batista Cepelos
I
1 Eu fui pedir à Natureza, um dia, Que me desse um consolo a tantas dores; Desalentado e triste, pressenti-a Cansada e triste como os sofredores.
2 Encaminhei-me à porta da Agonia, Corroído por chagas interiores, Buscando a morte que me aparecia Como o termo anelado aos dissabores,
3 Desvendando esse trágico segredo Que a alma decifra, pávida de medo, Com ansiedade e temores dos galés…
4 Mas ah! que atroz remorso me persegue! Choro, soluço, clamo e ele me segue Nesse abismo que se abre ante os meus pés. II
1 Ninguém ouve na Terra esse lamento Da minha dor imensa, incompreendida, Nas pavorosas trevas desta vida Em que eu julgava achar o Esquecimento.
2 Tenebrosa, essa noite indefinida, Cheia de tempestade e sofrimento, No país do Pavor e do Tormento Onde chora a minhalma enceguecida.
3 Onde o não-ser, a paz calma e serena, Que me traria o bálsamo a esta pena Interminável, rude, dolorosa?
4 Ninguém! Uma só voz não me responde! Sinto somente a treva que me esconde Na vastidão da noite tormentosa… III
1 Sirva-vos de escarmento a dor que trago Na minhalma infeliz e sofredora, Este padecimento com que pago O desvio da estrada salvadora
2 Aqui somente ampara-me esse vago Pressentimento de uma nova aurora, Quando terei os bens, o brando afago Da Luz, que está na dor depuradora.
3 Agora, sim! depois de tantos anos De tormentos, em meio aos desenganos, Espero o sol de novas alvoradas
4 De existências de pranto e de miséria, Para beber no cálix da matéria As essências das dores renegadas! Batista Cepelos Na sessão de 15-07-1933.
Essa mensagem foi também publicada pela FEB e é o 18º capítulo do livro “Parnaso de Além-Túmulo”