OPÚSCULOS · Autores diversos · Chico Xavier

Capítulo 2 de 13

2.

Para vocês.

PRIMEIRA PARTE

1. A VINDA DE JUCA (Médium: Francisco Cândido Xavier) SEGUNDA PARTE

2. A VOLTA DE JUCA (Médium: Waldo Vieira)

ANEXOS DA EDITORA Anexo 1: ORAÇÃO À CRIANÇA - Emmanuel. Médium: Francisco Cândido Xavier) Anexo 2: EM AUXÍLIO À CRIANÇA - Emmanuel. Médium: Francisco Cândido Xavier) PARA VOCÊS Meus filhos, não somos peixes E a comida não é isca.

Leiamos juntos a história Do pobre Juca Lambisca.

Casimiro Cunha Uberaba, 17 de maio de 1961.

PRIMEIRA PARTE

1 — A VINDA DE JUCA Médium: Francisco Cândido Xavier

1 Rabugento e malcriado, Esperto como faísca, Era um menino guloso O nosso Juca Lambisca.

2 Toda hora na despensa, Pé macio e mão ligeira, O maroto parecia Um rato na prateleira.

3 No instante das refeições, Afligindo os próprios pais, Ele comia depressa, Repetindo: — Quero mais!

4 Gritava: — Quero mais peixe!

Quero mais leite e mais pão!

Quero mais sopa no prato, Mais arroz e mais feijão!

5 D. Nicota falava, Ao vê-lo sobre o pudim:

— Meu filho, escute! Você Não deve comer assim.

6 Mas o Juca respondão Gritava, erguendo a colher:

— A senhora nada sabe; Eu como quanto eu quiser.

7 Na escola, Juca furtava Pastéis, bananas, pepinos, Tomando à força a merenda Das mãos dos outros meninos.

8 A vida do nosso Juca Era comer e comer…

Mas foi ficando pesado, E a barriguinha a crescer…

9 Gabriela, a companheira Da cozinha e do quintal, Falava, triste: — Ah! meu Juca, A sua vida vai mal!

10 Não valiam bons conselhos Do papai ou da vovó, Fugia de todo estudo, Queria a panela só…

11 Espíritos benfeitores, No lar em prece, ao seu lado, Preveniam, caridosos:

— Meu filho, tenha cuidado.

12 Mas, depois das orações, O nosso Juca, sem fé, Comia restos de prato Na terrina ou no cuité.

13 A todo instante aumentava A grande comedoria, Sujava a cozinha e a copa, Procurando papa fria.

14 Um dia, caiu doente, E o doutor João do Sobrado Receitou: — Este garoto Precisa comer regrado.

15 Mas alta noite ele foge…

E, mais tarde, a Gabriela Viu que o Juca estava morto Debruçado na gamela.

16 Muito triste o caso dele…

Coitado? Embora gordinho, O Juca morreu cansado De tanto comer toucinho.

Casimiro Cunha SEGUNDA PARTE

2 — A VOLTA DE JUCA Médium: Waldo Vieira

1 Desencarnado, o Lambisca, Na vida espiritual, Estava do mesmo jeito E o barrigão tal e qual.

2 Acorda num campo lindo …

E agora, que não mais dorme, Vê muita gente a sorrir Por vê-lo de pança enorme.

3 Tem a impressão de trazer O peso de um grande bumbo.

Quer levantar-se, porém A pança cai como chumbo.

4 Juca xinga nomes feios…

Faz birra, choro e escarcéu E pede com gritaria:

— Eu quero subir ao Céu!

5 Surge um Espírito amigo, Carinhoso e benfeitor, Que o recolhe com bondade Nos braçoscheios de amor.

6 Deu-lhe as mãos e disse: — Filho, Levante-se, cale e ande…

Ninguém sobe à Luz Divina Com barriga assim tão grande…

7 Mas o Juca, revoltado, Ergue os punhos pesadões Contra tudo e contra todos, A murros e pescoções.

8 Depois berra: — Esta barriga É grandona, mas é minha!

Eu quero comer no tacho, Quero morar na cozinha!

9 Multidões surgem a ver O menino barulhento.

E o Juca, com pontapés, Aumentava o movimento.

10 Um sábio aparece e fala:

— O Lambisca não regula, Enlouqueceu de repente De tanto cair na gula.

11 Foi preciso, então, prendê-lo…

Amarrado e furioso, O pequeno parecia Um cachorrinho raivoso.

12 Os Protetores, após Guardá-lo em corda segura, Oravam, dando-lhe passes, Com bondade e com doçura…

13 Viu-se logo o olhar do Juca Fazer-se brando, mais brando…

O menino foi dormindo E a barriga foi murchando…

14 Os amigos decidiram, Assim como um grande povo, Que o Juca a fim de curar-se Devia nascer de novo.

15 Lambisca a dormir, coitado, Ele — tão forte e mandão, Renasceu, muito pequeno, Um simples bebê chorão.

16 E para esquecer a gula Cresceu doente e magrinho…

Só bebia caldo leve, Sem feijão e sem toucinho.

Casimiro Cunha ANEXOS DA EDITORA Oração da criança n

1 Amigo:

Ajuda-me agora, para que eu te auxilie depois.

2 Não me relegues ao esquecimento, nem me condenes à ignorância e à crueldade.

3 Venho ao encontro de tua aspiração, de teu convívio, de tua obra…

4 Em tua companhia estou na condição da argila nas mãos do oleiro.

5 Hoje, sou sementeira, fragilidade, promessa… Amanhã, porém, serei tua própria realização.

6 Corrige-me, com amor, quando a sombra do erro envolver-me o caminho, para que a confiança não me abandone.

7 Protege-me contra o mal.

Ensina-me a descobrir o bem.

8 Não me afastes de Deus e estimula-me a conservar o amor e o respeito que devo às pessoas, aos animais e às coisas que me cercam.

9 Não me negues tua boa vontade, teu carinho e tua paciência.

10 Tenho tanta necessidade do teu coração, quanto a plantinha tenra precisa da água para viver e prosperar.

11 Dá-me tua bondade e dar-te-ei cooperação.

12 De ti depende que eu seja pior ou melhor amanhã. Emmanuel Em auxílio à criança n

1 Dentro das tarefas que o Espiritismo nos impõe, uma delas avulta pela importância e significação com que se destaca no presente para a garantia do futuro de nosso trabalho regenerativo e santificante.

2 Referimo-nos à imprescindível assistência espiritual que a criança exige de nós, a fim de que não estejamos descuidados no erguimento das colunas vivas do Reino do Senhor, na Terra.

3 Não levantaremos um edifício, sem assegurar a firmeza dos alicerces.

4 Não escreveremos um livro, sem antes penetrar o sentido do alfabeto.

5 Não chegaremos a produzir uma sinfonia, sem abordar os segredos primários das notas simples.

6 Não colheremos em seara feliz, sem sacrifícios na sementeira.

7 Como esperar o aprimoramento da humanidade, sem a melhoria do homem, e como aguardar o homem renovado sem o amparo à criança?

8 O menino de agora dominará depois.

9 Na urna do coração infantil, reside a decifração dos inquietantes enigmas da felicidade sobre o mundo.

10 Façamos de nossos templos de fé espírita-cristã não somente santuários de socorro às aflições e aos problemas da experiência humana, mas também lares de adestramento espiritual, com vistas à plantação do bem, onde nossos filhos encontrem a primeira escola de comunhão com o Senhor e com o próximo.

11 A recuperação da mente infantil para o equilíbrio da vida planetária é trabalho urgente e inadiável, que devemos executar, se nos propomos alcançar o porvir com a verdadeira regeneração.

12 Na criança, ergue-se o amanhã.

13 Talvez, por isso mesmo, à frente da multidão aflita, proclamou o nosso Divino Mestre: — Deixai vir a mim os pequeninos…

14 Dirijamo-nos para o Cristo, conduzindo conosco os tenros corações das criancinhas e, mais cedo que possamos esperar, a Terra encontrará o caminho glorioso da paz imperecível. Emmanuel [1] Página recebida pelo médium Francisco Cândido Xavier. [2] Página recebida pelo médium Waldo Vieira. [3] Página recebida pelo médium Francisco Cândido Xavier. Essa mensagem, com pequenas diferenças, foi publicada pela FEB em 1968 e é a 16ª lição do livro “Luz no lar.”

[4] Página recebida pelo médium Francisco Cândido Xavier. Texto publicado nas revistas Reformador, outubro 1953, p. 229 e Brasil espírita, janeiro 1953, p. 4, com a diferença na expressão experiência humana do indicador 10, para madureza humana, alteração que consideramos inadequada por ferir os direitos morais do autor.