O Evangelho por Emmanuel · Volume VI · Chico Xavier

Capítulo 13 de 18

Introdução à Carta aos Hebreus

A Carta aos hebreus é talvez o mais controvertido texto do Novo Testamento. Não só pela sua forma. que se diferencia de todas as demais cartas, mas, também, por alguns aspectos que, desde o Cristianismo Primitivo, chamaram a atenção de estudiosos: o nome de Paulo não aparece uma única vez na carta; os temas que normalmente são tratados com importância nas outras cartas, aqui estão ausentes ou abordados de maneira indireta ou diferente. O uso e abordagem ao Antigo Testamento também fazem com que, no conjunto, o texto de Hebreus se aproxime mais de uma exposição argumentativa do que propriamente uma carta, à exceção do seu final. Isso pode ter sido uma das razões pelas quais a carta não é colocada logo após 2 Coríntios, como seria de se esperar, dado o seu tamanho e ser ela destinada a uma coletividade. Por essas razões, temos posições diferentes em relação à sua autoria. Tertuliano atribuía a carta a Barnabé; Clemente, de Alexandria, acreditava que a carta era de Paulo, mas que teria sido escrita em língua hebraica e depois traduzida para o grego por Lucas. Orígenes conhece e cita Hebreus, embora sua posição em relação à autoria pareça diferir ao longo do tempo. Apesar disso, já existem, em Clemente de Roma, visíveis similaridades com Hebreus, o que sugere que ele a conhecia. Isso nos leva a crer que, para além das questões de autenticidade, o conteúdo foi acolhido pela maioria dos cristãos. Estrutura e temas Remetentes: não declarado Capítulos: 13 Versículos: 303 Deus falou antes de muitos modos, agora fala por meio do Filho. 1.1,2 Superioridade de Jesus. 1.3 Jesus é superior aos anjos. 1.4 — 2.18 Jesus é superior a Moisés. 3.1 — 4.13 Jesus é um sumo sacerdote. 4.14 — 5.10 Aqueles que deveriam ter se tornado mestres permanecem como crianças. 5.11-14 Os temas mais elevados. 6.1-3 Advertências aos que foram iluminados e caíram. 6.4-8 Encorajamento e esperança. 6.9-20 O sacerdócio de Melquisedec. 7.1-10 O sacerdócio levítico e o de Melquisedec. 7.11-20 O sacerdócio de Jesus. 7.21-28 O tema mais importante da carta. 8.1-5 Jesus é mediador de uma aliança maior. 8.6-13 O ritual e o culto na primeira e na segunda alianças. 9.1-14 O porquê de Jesus ser o mediador da nova aliança. 9.15-28 Os sacrifícios feitos da forma antiga são ineficazes. 10.1-10 O sacrifício de Jesus é eficaz. 10.11-18 A liberdade proporcionada pelo sacerdócio e sacrifício de Jesus. 10.19-22 Exortação à perseverança. 10.23-39 A importância da fé. 11.1-40 Perseverar com os olhos fixos em Jesus, que é o iniciador e consumador da fé. 12.1-4 O sofrimento como forma de correção. 12.5-13 Exortação à paz. 12.14-17 Advertências para os que se aproximam das realidades celestes. 12.18-29 Recomendações de amor e conduta na comunidade. 13.1-6 Todos os dirigentes perecem, só Jesus permanece. 13.7-9a O fortalecimento do coração e o altar íntimo. 13.9b-16 Obediência aos dirigentes. 13.17 Pedido de orações. 13.18,19 Bênção final. 13.20,21 Notas de envio, notícias de Timóteo e saudações finais. 13.22-25 Origem e data A única referência, no próprio texto da carta, que remete a uma possível localização, é a citação na saudação final: “Os da Itália vos saúdam”. Isso sugere uma possível composição em Roma, sem, contudo, ser conclusiva nesse sentido. As questões relacionadas à autoria e dificuldade de localização levaram os estudiosos a proporem datas bastante distantes em relação à composição da carta, compreendendo um período que vai desde o ano 60 até o ano 90, tendo 65 a 68 como sugestões mais frequentes. Perspectiva espírita A carta traz um conjunto de argumentos, defendendo a superioridade de Jesus em relação a Moisés e aos anjos. Isso se ajusta à perspectiva que a Doutrina Espírita utiliza da superioridade de Jesus, a começar pela questão 625 de O Livro dos Espíritos. Em relação a origem e data, Emmanuel, no livro Paulo e Estêvão, registra o momento e condições que levaram à elaboração da Carta aos hebreus. Paulo estava em Roma e após uma tentativa fracassada em apresentar o Evangelho aos correligionários judeus, ele decidiria concentrar seus esforços na divulgação do Evangelho entre os gentios. Nesse momento, um senhor de idade aproxima-se do ex-rabino e lhe pede que não desista de sua gente. Comovido com aquele gesto, Paulo informa que, não lhe sendo possível falar na sinagoga, dado a estar ainda em prisão domiciliar, iria escrever aos irmãos de boa vontade dentro do judaísmo. Transcrevemos a seguir o texto de Paulo e Estêvão que trata deste tema: “Daí por diante, aproveitando as últimas horas de cada dia, os companheiros de Paulo viram que ele escrevia um documento a que dedicava profunda atenção. Às vezes, era visto a escrever com lágrimas, como se desejasse fazer da mensagem um depósito de santas inspirações. Em dois meses, entregava o trabalho a Aristarco para copiá-lo, dizendo: — Esta é a epístola aos hebreus. Fiz questão de grafá-la, valendo-me dos próprios recursos, pois que a dedico aos meus irmãos de raça e procurei escrevê-la com o coração.

O amigo compreendeu o seu intuito e, antes de começar as cópias, destacou o estilo singular e as ideias grandiosas e incomuns.”

Saulo Cesar Ribeiro da Silva