O Evangelho por Emmanuel · Volume VI · Chico Xavier

Capítulo 2 de 18

Introdução à Carta aos Romanos

A Carta aos Romanos é, desde cedo, considerada um dos escritos mais importantes do Novo Testamento. Tertuliano, Marcião, Clemente, dentre outros, a conhecem e citam-na. Lutero a considera o escrito mais importante e, sobre ela, Calvino escreveria que “quem a compreendeu, recebe precisamente com ela a chave para todas as câmaras secretas do tesouro da Sagrada Escritura”. É uma das cartas de Paulo que mais faz referências ao Antigo Testamento, traz a maior relação de nomes de colaboradores e saudações, incluindo o de Tércio, a quem possivelmente Paulo ditou esta carta (Romanos, 16.22) e o de Febe, que seria a portadora desta (Romanos, 16.1). Registra, ainda, a base de um dos grandes debates teológicos sobre a justificação pela fé (Romanos, 1.17). Apesar disso, é importante não perder de vista as circunstâncias concretas que deram origem à carta, principalmente no que se refere ao desentendimento entre judeus e gentios daquela comunidade, e, também, a intenção de Paulo de ir até Roma, tendo que, antes, viajar para Jerusalém. A carta, portanto, o precederia naquela comunidade, que ele esperava utilizar como base para dali seguir até a Espanha. Estrutura e temas Remetente: Paulo Capítulos: 16 Versículos: 433 Destinatários e saudações. 1.1-7 Gratidão é desejo de visitar a comunidade em Roma. 1.8-13 Paulo se sente devedor de gregos e bárbaros, sábios e ignorantes. 1.14,15 Tema da epístola: viver pela fé. 1.16,17 A justiça de Deus. 1.18-32 Responsabilidade de todas as pessoas perante Deus. 2.1-16 Advertência aos judeus. 2.17-29 A vantagem de ser judeu. 3.1-8 Tanto judeus como gregos se equivocam. 3.9-19 A manifestação da justiça de Deus. 3.20-31 Abraão tornou-se justo por sua fé. 4.1-25 Recompensa por ser justo. O papel de Jesus no desenvolvimento do homem justo. 5.1-11 Adão e seu erro comparado com Jesus e sua retidão. 5.12-21 Necessidade da mudança. A vida com o Cristo. 6.1-14 Ser justo onde quer que estejamos. 6.15-23 Limites de atuação da lei judaica. 7.1-6 Característica e função da lei judaica. 7.7-13 Dificuldades existentes no cumprimento da lei judaica. 7.14-25 Não há mais condenação para os que vivem de acordo com o que Jesus ensinou e realizou. 8.1-13 Todos são filhos de Deus. 8.14-17 Sofrimento presente e recompensa e alegria futuras. 8.18-27 Deus age para o bem dos que o amam. 8.28-30 Se Deus é por nós, quem será contra? 8.31-39 O que Paulo sente sobre os equívocos do povo de Israel. 9.1-33 Desejo de Paulo em relação ao futuro do povo de Israel. 10.7-21 O povo de Israel não foi repudiado por Deus. 11.1-15 Adverténcia contra a soberba dos gentios. 11.16-24 Todo o povo de Israel será salvo. 11.25-36 O culto espiritual. 12.1,2 Necessidade da humildade e da caridade. 12.3-13 A caridade deve ser para todos, mesmo para os inìmigos. 12.14-21 O respeito e a submissão às autoridades do mundo. 13.1-7 A caridade é a plenitude da lei judaica. 13.8-10 O cristão deve ser um foco de luz. 13.11-14 Necessidade da caridade para com os mais fracos. 14.1-23 Os fortes devem carregar a fragilidade dos fracos. 15.1-3 Necessidade de esperança e perseverança. A consolação virá. 15.4-13 A tarefa de Paulo. 15.14-21 O projeto de viajar até Roma. 15.22-33 Saudações e recomendações - primeira parte. 16.1-16 Adverténcia. O mal será esmagado. 16.17-20 Saudações e recomendações - parte final. 16.21-24 Tércio como escrevente da epístola. Louvor final. 16.25-27 A comunidade Roma é a capital do Império, fundada em torno de 750 a.C. A comunidade cristã existente não foi fundada por Paulo e ele não a conhecia quando a carta é escrita.

Sua origem pode apoiar-se tanto em judeus, levados até a capital do Império, quanto por romanos, que recolheram a mensagem do Evangelho na Galileia, Judeia ou Samaria. Lembremos que, em Atos, 2.10, existe uma pequena referência a romanos ouvindo os apóstolos, por ocasião do Pentecostes. A depreender do próprio teor da carta, não existia uma hegemonia entre judeus e gentios dentro da comunidade, e divergências entre esses dois grupos motivou o pedido de auxílio ao Apóstolo dos Gentios, sobre temas bastante concretos. Autoria e origem Não há, praticamente, nenhuma contestação séria sobre a autoria atribuída a Paulo de Tarso. Ele está em Corinto, provavelmente na casa de Gaio, preparando-se para empreender uma viagem até Jerusalém, a fim de levar recursos angariados para aquela comunidade. Informado da situação na comunidade de Roma, redige uma carta que deveria precedê-lo e contribuir para diminuir os conflitos que surgiram. Possível datação As datas que tratam da redação incluem o ano de 55 como o mais antigo e o de 58 como o mais tardio.

Conteúdo e temática Romanos é uma carta que trata de divergências surgidas no seio de uma comunidade, formada por pessoas com diferentes históricos e perspectivas religiosas, acerca de elementos da prática e da crença. É uma carta de especial importância, não só pela longa e cuidadosa exposição de vários temas que estariam na origem das comunidades cristãs, como também pela forma pela qual os conflitos surgidos, dentro dessas igrejas, deveriam ser considerados e tratados. Para a atualidade das comunidades cristãs, constitui um atual e importante apelo à concórdia, à fé e a uma prática cristã que se aproxime do exemplo de Jesus. Perspectiva espírita De acordo com Emmanuel, em Paulo e Estêvão, a Epístola aos romanos foi escrita quando o Apóstolo dos Gentios estava em Corinto. A carta teria o propósito de preparar a sua chegada à capital do Império, e, por isso, durante alguns dias, ele trabalhou nesse documento, de modo que ele recapitulasse a doutrina consoladora do Evangelho e também referências a todos os trabalhadores de que Paulo já-tivera notícias naquela cidade. A portadora da carta foi uma grande colaboradora de Paulo no porto de Cencreia, que teria que viajar a Roma para visitar alguns familiares.

Emmanuel também confirma a importância dessa carta quando narra a chegada de Paulo preso à cidade de Puteólli. Um velhinho chamado Sexto Flacus foi até a hospedaria humilde onde ele estava, informando que a cidade possuía, há muito, uma comunidade onde várias cartas do Apóstolo dos Gentios eram lidas, dentre elas a escrita aos Romanos, da qual ele trazia uma cópia, guardada com especial carinho pelos confrades. A Epístola aos romanos representa um importante marco na história do Cristianismo. Escrita já na maturidade de Paulo, destinada a uma comunidade existente na capital do Império, demonstra a universalidade do Evangelho, cuja prática e aplicação alcançam todas as dimensões da vida humana. Seus ensinos ecoam pelos séculos, nos fazendo lembrar que, para além de todas as artificiais e transitórias divisões que podem surgir nos agrupamentos humanos, o Evangelho, como proposta libertadora, nos une e orienta, nos consola e esclarece, aguardando, de nós, as disposições de agir e servir, cooperando com a difusão da luz onde quer que estejamos. Saulo Cesar Ribeiro da Silva