O Evangelho por Emmanuel · Volume I · Chico Xavier

Capítulo 8 de 33

A candeia

1 A candeia luminosa, acima do velador, não é somente um problema de verbalismo doutrinário.

2 Claro que as nossas convicções públicas revelam pensamento aberto e coração arejado, na sincera demonstração de nossas concepções mais íntimas. O ensinamento do Cristo, porém, lançava raízes mais profundas no solo do nosso entendimento.

3 A lâmpada acesa da lição divina é, antes de tudo, o símbolo de nosso exemplo seguro e positivo, nos variados ângulos da existência.

4 O discípulo do Evangelho é convidado a afirmar-se, no mundo, a cada instante…

5 Se foste ofendido, não conserves a luz do perdão nas dobras obscuras dos melindres enfermiços.

6 Se encontraste a dificuldade, não escondas a coragem nos resvaladouros da fuga.

7 Se foste surpreendido pela provação dolorosa e áspera não enterres o talento de tua fé no pantanal do desânimo.

8 Se foste tocado pela dor, não arremesses a tua esperança ao despenhadeiro da indiferença.

9 Se sofres a perseguição e a calúnia, não arrojes a oração ao abismo da revolta e do desespero.

10 Se a luta te impôs a marcha entre espinheiros, oferecendo-te fel e vinagre, não ocultes o teu valor espiritual, sob os detritos da inconformação ou do desalento.

11 Faze a tua viagem na Terra, em companhia do Amigo celestial, de coração elevado à Vontade divina, de cabeça erguida na fidelidade à religião do dever bem cumprido, de consciência edificada no bem invariável e de braços ativos e diligentes na plantação das boas obras.

12 Não disfarces os teus conhecimentos de ordem superior e aprende a usá-los, a benefício dos semelhantes e em favor de ti mesmo, porque assim, ainda mesmo que o sacrifício supremo na cruz seja o teu prêmio, entre os homens, adquirirás na vida eterna a glória de haver buscado a divina ressurreição. Emmanuel (Reformador, setembro de 1952, p. 207)