O Espírito de Cornélio Pires · Cornélio Pires. — F. C. Xavier / Waldo Vieira · Chico Xavier

Capítulo 17 de 22

Nhá Bela

1 Nhá Bela jaz ferida na barraca. Em vão fora pedir gotas de arnica, Pois o moço dissera na botica: — “Não atendo gamboa na ressaca.”

2 Tem febre alta… O corpo tremelica… Sozinha, encontra o chão por leito e maca… Perde sangue… Delira… Está mais fraca… Lavadeira de tanta gente rica!…

3 Chora na noite escura que a regela, Mas alguém rompe a sombra e diz: “Nhá Bela!” E a pobre clama: “Oh! filho, dá-me luz!…”

4 Brilha o zinco da choça de repente E na morte que a beija, docemente, Deslumbrada, Nhá Bela vê Jesus!

82 Compaixão inoportuna Onde o crime se concentre, Lindo cavalo de Troia Com novos crimes no ventre.

83 As pessoas preguiçosas, Conforme o senso comum, Querem sempre algum trabalho E estão sem tempo nenhum.

84 Discernimento e bondade São em si diversos dons.

Caridade sem justiça É um mel que sufoca os bons.

85 Invejoso inteligente?

Ninguém aceite esse engano. Inveja esmaga o talento Como a traça rói o pano.

Cornélio Pires