O Espírito de Cornélio Pires · Cornélio Pires. — F. C. Xavier / Waldo Vieira · Chico Xavier
Capítulo 12 de 22
Nhô Manduco
“Recorde sempre: o anônimo da rua é nosso irmão.”
1 Lá se vai arrastando Nhô Manduco. Um homem passa, rente, e a língua engrola: — “Foge daqui, cachorro manquitola!” Outro grita de longe: — “Sai caduco!”
2 É noite… A água da chuva é fino suco. O barro é o cobertor a que se enrola. Sente o mendigo o estalo da cachola E morre feito sapo no tijuco.
3 Acorda Nhô Manduco libertado. Contempla o próprio corpo, frio, ao lado… Ergue-se tonto… Nada sabe ao certo…
4 Teme e treme… Mas nisso vê na altura, A rebrilhar no horror da noite escura, Um caminho de sol no céu aberto.
57 — “Reencarnação!… Que estopada!…” — Comentou Nico Peão — “O corpo é concha pesada Que a gente arrasta no chão…”
58 “Afeição cega a razão”
Ideia a que não me encaixo. Cabeça pensa por cima, Coração fica por baixo.
59 Se o coração está rico De bondade natural, Nem a pobreza atropela, Nem a riqueza faz mal.
60 Provérbio claro e bem-posto, Sem margem à distorção:
Melhor vergonha no rosto Que mágoa no coração.
Cornélio Pires