Mensagens de Inês de Castro · F. C. Xavier / Caio Ramacciotti. / Inês de Castro · Chico Xavier

Capítulo 10 de 41

Um pouco de História: Caio Ramacciotti

A profunda dor que se abateu sobre Inês de Castro e Pedro e seus previsíveis desdobramentos definiram nova realidade para Portugal. Assinada a paz em Canaveses, formalizando-se a antecipação de poderes na importante área da justiça real, passou o infante a dividir as tarefas do reino com Afonso IV. E vemos as dramáticas cores da tragédia esbaterem-se ao longo dos meses e também desfalecer parcialmente em Pedro o ímpeto de revindita. Voltaremos a falar sobre a saga que tanto comoveu a Pátria, sendo objeto mesmo de estudos, biografias, poemas de autores respeitáveis e da admiração do povo, que incorporou Inês, ao lado da Rainha Santa, qual símbolo do profundo amor, apanágio da gente portuguesa. Amor que é cantado em verso por Júlio Dantas, em sua belíssima peça, A Ceia dos Cardeais, no depoimento do Cardeal Gonzaga, respondendo ao colega Rufo: — Em que pensa, cardeal?

— Em como é diferente o amor em Portugal!

Nem a frase subtil, nem o duelo sangrento…

É o amor coração, é o amor sentimento.

Uma lágrima… Um beijo… Uns sinos a tocar…

Um parzinho que ajoelha e que se vai casar.

Tão simples tudo! Amor, que de rosas se enflora:

Em sendo triste canta, em sendo alegre chora!

O amor simplicidade, o amor delicadeza…

Ai, como sabe amar a gente portuguesa!