Mensagens de Inês de Castro · F. C. Xavier / Caio Ramacciotti. / Inês de Castro · Chico Xavier

Capítulo 21 de 41

Isabel de Aragão: Caio Ramacciotti

Isabel, a Rainha Santa, é personagem essencial neste livro. Vemo-la e a sentimos em todo o desdobramento dos fatos históricos e de suas consequências.

Recolhe Inês de Castro na Vida Maior, após a tragédia de 7 de janeiro de 1355, amparando-a no Plano Espiritual, do mesmo modo que socorre o neto no Plano físico.

Inspira o filho D. Afonso IV e sua esposa, D. Beatriz de Castela, a compreenderem a necessidade do entendimento com D. Pedro, o que leva ao acordo sedimentado nas Pazes de Canaveses.

Diz a história, bem como o próprio espírito de Inês de Castro, em uma de suas mensagens, que a Rainha Santa adotou Afonso Sanches (filho de D. Dinis e de D. Aldonça Rodrigues Telha) qual filho do coração, rogando-lhe que perdoasse ao irmão, Afonso IV, que o hostilizava, enciumado da especial afeição que lhe devotava o rei. Por causa desse irmão, D. Afonso IV envolveu-se em disputas com o progenitor, o que provocou cinco anos de guerra civil.

A rainha sempre tratou bem os filhos do marido, assim como as respectivas mães. Conhecedor do caráter da esposa, antes de falecer, D. Dinis a nomeou testamenteira de seus filhos ilegítimos.

Foi companheira de D. Dinis durante o longo reinado de quase meio século e sobreviveu a ele por onze anos.

Um dos mais conhecidos episódios ocorridos com a Rainha Santa no reinado de D. Dinis é o reproduzido no quadro cujas cópias se popularizaram em Portugal e no Brasil:

A célebre pintura eterniza a transformação dos pães — que distribuía às gentes humildes — em rosas, quando, certa feita, D. Dinis, voltando a palácio, a surpreende em contato com a população sofrida.

Guardo uma edição desse quadro em minha sala de trabalho, com imenso carinho, presente de Chico Xavier, que sempre frisou seu respeito e admiração por Isabel de Aragão.

Colhi, a propósito, a uma culta senhora portuguesa, residente no Brasil, muito afeita às tradições de sua terra, o relato tal qual ela o ouvira em sua distante infância, nos arredores de Coimbra.

Conta-se em Portugal que a rainha Isabel ajudava os pobres nos fundos do palácio e trazia os pães amontoados no avental, quando chegou o rei, retornando de uma caçada, acompanhado de seus cavaleiros.

D. Dinis, afeito aos gestos caridosos da esposa, indaga-lhe:

— O que trazes aí, Senhora?

— São rosas, Senhor!

— Rosas em janeiro? Isso é um milagre. Deixa-me ver.

Isabel abre o avental, e rosas se espalham pelo chão…

E o povo todo se ajoelhou diante da nobre senhora.

A sua dedicação cria lendas, como a que se conta de certa vez que, não tendo dinheiro com que pagar a féria aos cantoneiros, lhes pediu que se contentassem em aceitar cada um, como sinal de boa vontade em pagar, uma simples flor. E quando eles voltaram aos seus lares, viram que a flor se transformara num dobrão de ouro. No dia da Ceia do Senhor, todos os anos, a Rainha lavava os pés a certas mulheres. Numa das vezes, quando ainda D. Dinis era vivo, atendeu uma das mulheres que tinha um pé com gangrena e os dedos quase se desprendendo, mas a mulher queria apenas colocar na bacia o outro pé saudável, ao que a Rainha disse: — Amiga, ponde o outro pé na bacia.

E a pobre respondeu:

— Senhora, não é para lavar.

A Rainha ordenou que fosse colocado o pé doente da mulher na bacia. Quando o fez, as presentes assustaram-se com o aspecto do mesmo e recuaram, mas a Rainha lavou-o, sem hesitar, limpou com a toalha e o beijou. A mulher, sentindo-se sã e curada do pé, retirou-se, comentando que desde o beijo da rainha deixara de sentir dor.