Mensagens de Inês de Castro · F. C. Xavier / Caio Ramacciotti. / Inês de Castro · Chico Xavier

Capítulo 12 de 41

A Vida na Idade Média: Caio Ramacciotti

Embora à época em que nos detemos, em torno de 1350, século XIV, estivéssemos caminhando para a Renascença, os fortes liames entre o obscuro primeiro período medieval e o início do segundo, com a organização das monarquias pós-carolíngeas, não ofereciam risonhas perspectivas à vida social. Para que o leitor compreenda o que significaram os tempos medievais, no que tange à vida em si das pessoas, faço uma breve síntese:

A Idade Média tradicionalmente divide-se em dois períodos. A primeira parte, que vai de 400 a 800 d.C., é considerada por muitos uma noite de nossa história.

Essa fase inicial do período medieval permanece mais esquecida, porque a estruturação político-administrativa, que deu grande impulso à futura definição das diversas nacionalidades, surgiu apenas em seu último século, o oitavo de nossa era, com a dinastia carolíngia, fundada por Carlos Martel e cujo mais destacado representante foi o imperador Carlos Magno. Nesse período lúgubre, fermentaram as ideias maniqueístas de Céu e Inferno, que se perpetuaram até a Renascença, nos séculos XV e XVI, e avançaram pelos séculos posteriores, com as profundas marcas religiosas da Reforma e da Contrarreforma. Como nos assevera Mário Domingues: (…) nunca chegaremos a conhecer o Homem medieval sem nos integrarmos mentalmente na época em que ele viveu, sem respirarmos, por um esforço prodigioso de vontade, a atmosfera em que ele se criou, toda povoada de anjos e demônios, de visões luminosas do Paraíso e aparições tenebrosas do Inferno.