Maria Dolores · A própria · Chico Xavier
Capítulo 29 de 41
Dom de Deus
1 Alguém, um dia, Perguntou a Michelangelo Enquanto ele esculpia:
2 — Senhor, por que razão Martelar, martelar Esta pedra indefesa?
Não seria mais justo Deixá-la em paz No coração da natureza?
3 O escultor, entretanto, Respondeu simplesmente, Sem alterar a voz:
— Um anjo mora preso Neste bloco maciço E tenho o compromisso De trazê-lo até nós.
4 E batendo e cortando, Aresta sobre aresta, Aparando e brunindo O mármore que entesta, Vê, afinal, o instante Em que ele próprio exulta…
5 A obra-prima que jazia oculta Aparece, soberana:
É um anjo que sorri quase que em filigrana, Uma pedra, por fim que se transforma Com prodígios de forma, Em requintes de luz e de beleza humana…
6 Assim também, alma querida, Quando a dor te ameace ou te amarfanhe a vida, Não grites maldições, Nem fabriques labéus…
A prova é a força que te aperfeiçoa, A dor nasce de Deus por dom profundo Que te arranca do mundo Para brilhar nos Céus.
Maria Dolores