Maria Dolores · A própria · Chico Xavier

Capítulo 16 de 41

Obreiros de Deus

1 Escuta, alma querida, Se a força que orienta as construções da vida Resolveu entregar-te A comunicação do bem e da cultura Pelos caminhos da arte, Por maior seja a dor que te renova e apura, Nunca te desanimes No alto ministério em que te pões, Sê fiel à missão em que te exprimes, Criando e recriando gerações.

2 Mesmo de coração amarfanhado, Perante o mundo desatento, Não desistas da luta que te alcança, Em amassando, a trigo de esperança, O pão do pensamento.

Entre a imortalidade e as visões da beleza, Contempla o mundo à frente, Pensa no plano artístico esplendente Em que se fundamenta a Natureza.

3 Onde o verde se alonga, anota nos caminhos Aves lembrando intérpretes de sonhos E equipes orquestrais nos troncos e nos ninhos.

4 Quando a tarde aparece sobre os campos E a sombra se desata, Fita a erva a surgir sob adornos de prata Feitos na tênue luz dos pirilampos.

5 Vejamos nos jardins:

Cravos recordam belos arlequins Dançando ao sol e ao vento, Enquanto sob o azul do firmamento, Quase concretizando músicas divinas, No tecido aromal que os entretece, Os lírios são pierrôs filosofando em prece E as rosas são alegres colombinas.

6 Quando as nuvens no Espaço Lançam granizos e clamores, Em raios e trovões ameaçadores Nos golpes da tormenta, De estrondo a estrondo e estilhaço a estilhaço, É uma tragédia que se representa. Sem que as distâncias possam escondê-las Quando a treva noturna tudo invade, Olha o bailado e as luzes das estrelas Com notícias dos Céus na Imensidade!…

7 Assim também, alma querida, Cumpre a missão que te engrandece a vida, Educa, eleva, ampara, serve e ama… Arte é divina chama, Realeza sem plebeus, E artistas que se dão ao trabalho fecundo De aliviar a dor e melhorar o mundo São obreiros da paz com mensagens de Deus. Maria Dolores