Loja de alegria · Jair Presente · Chico Xavier

Capítulo 25 de 31

Caso vulgar

1 João comia. João dormia. Tinha pouco o que fazer. Passeava, andava e ria, Mas João queria morrer.

2 Dizia que o mundo é falso, Despenhadeiro traidor, Senzala de crueldade, Toda cravada de dor.

3 Por mais que o guia buscasse Despertá-lo para o bem, Tudo inútil. João clamava Xingando como ninguém.

4 O mentor rogava calma No serviço meritório, João respondia que o mundo É um horrendo purgatório…

5 Afirmava ouvir apenas Pragas, lamentos e ais. E rematava: — “Meu guia, Agora não posso mais…

6 “Quero a sua companhia, Preciso mudar de sorte, Colaborar, ao seu lado, Na vida depois da morte…”

7 E tanto pediu repouso Na chorança sem limite Que o pobre desencarnou, A toque de meningite.

8 Sob os cuidados do guia, João acordou, foi tratado… O mentor, ao vê-lo forte, Anunciou-lhe, afobado:

9 — “João amigo, eis o momento!… Você queria morrer, Agora venha comigo, Servir é o nosso dever.”

10 O moço que detestava Disciplina, horário e prova, Começou desapontado A imprevista vida nova.

11 Seguindo os passos do guia, Entre surpresas crescentes, Passava, dias e dias, Doando força a doentes;

12 Amparava hansenianos, Balsamizava feridas, Corria sempre em socorro De crianças desvalidas.

13 Gastava nos hospitais, Às vezes, noites inteiras, Garantindo a vigilância De enfermeiros e enfermeiras.

14 O protetor sem repouso Parecia não ter paz, Onde surgisse em auxílio, João devia vir atrás.

15 Certo dia, João, cansado, Disse ao guia: — “Não aguento, Não mais aguento a pedreira De prisão e sofrimento…”

16 Pede o guia : — “Fala, filho!…” E chorando gritou João: — “Eu quero viver na Terra, Prefiro a reencarnação…” Jair Presente