Loja de alegria · Jair Presente · Chico Xavier
Capítulo 22 de 31
A lição do poço
1 O sol descia de manso. Poente. Calor no ar, O aprendiz e o professor Estavam à beira-mar.
2 Ante as sentenças ouvidas, O jovem, com atenção, Falou ao mentor amigo No término da lição:
3 — O que me dói, professor, Ante a luz de tanto ensino, É ser um cara “manjado” Tão errado e pequenino.
4 Oro. Medito. Prometo. Busco em Deus o meu abrigo, Mas sofrendo tentações, As quedas estão comigo…
5 Sei o que devo seguir E faço o que não convém… Deus é tão grande e eu “fracóide” Serei obreiro do Bem?
6 O professor disse: — “Filho, O problema é começar… Deus nos deu a cada um O poder de auxiliar.”
7 Veio o silêncio. Fitavam Um homem lançando rede… Depois, o jovem clamou: — Professor, estou com sede!…
8 O amigo sorriu, bondoso, E respondeu, de alto senso: — “Veja, filho!… Estamos sós, Diante do mar imenso!…
9 “Tanta água!… Tanta água!… Que o Céu cobre com carinho!… E agora necessitamos Do poço de algum vizinho…”
10 Não longe, uma casa pobre Deu-lhes acesso ao quintal; O poço pequeno e limpo Apareceu, afinal.
11 Terminara para os dois A inesperada procura; O moço fartou-se de água, Água simples, água pura…
12 E disse o mentor contente, Ao desligar-se de um jarro: — “Cada qual pode ser poço, Mesmo que seja de barro.” Jair Presente