Luz no lar · Autores diversos · Chico Xavier

Capítulo 15 de 66

Ternura maternal - Carlos D. Fernandes

I

1 As paredes da casa em vão procuro, Quero dizer adeus e não consigo… Vejo apenas o vulto amargo e amigo Da morte que me estende o manto escuro.

2 Choro a estirar-me, trêmulo, inseguro; O leito ensaia a pedra do jazigo… Padeço, clamo e indago a sós comigo, Qual pássaro que tomba contra um muro.

3 A névoa espessa enreda o corpo langue. É o terrível crepúsculo do sangue Que me tinge de sombra os olhos baços;

4 Mas surge alguém, no caos que me entontece, É minha mãe, que alonga as mãos em prece, Doce estrela brilhando nos meus braços!… II

1 Ave que torna, em chaga, ao brando ninho, Ouço divina música na sala, É a sua voz celeste que me embala, Motes do lar que tornam de mansinho.

2 Ergo-me agora… O corpo é o pelourinho De que me desvencilho por beijá-la… “Mãe! Minha Mãe!…” — suspiro, erguendo a fala, A soluçar de júbilo e carinho.

3 — “Dorme, filho querido! Dorme e sonha!…” Nossa velha canção terna e risonha Regressa com beleza indefinida…

4 Tomo-lhe os braços em que me acrisolo E durmo novamente no seu colo Para acordar no berço de outra vida. Carlos D. Fernandes Esses sonetos foram publicados em 1962 pela FEB e encontra-se na 26ª lição da 1ª Parte do livro “Antologia dos Imortais.”