Lira imortal · Autores diversos · Chico Xavier

Capítulo 3 de 62

Uma palavra à Igreja - Abílio Guerra Junqueiro

1 A Igreja antigamente era uma luz dourada Que enchia os corações de paz e de esplendor, Sublime manancial, fonte viva ao amor, Jorrando sob o sol de mística alvorada.

2 A palavra da fé caia como um luar De esperança divina, esplendorosa e doce, Sobre as dores cruéis, mas tudo transformou-se Quando Pantagruel apareceu no altar.

3 Então, desde esse dia, as dúlcidas lições Do exemplo de Jesus o meigo Nazareno, Sumiram-se no horror do lamaçal terreno, No multissecular mercado de orações.

4 De Deus fez-se um cifrão imenso, extraordinário, Inventou-se o ritual de um Cristo estranho e novo E fez-se a exploração sacrílega do povo Sobre a tragédia santa, excelsa do Calvário.

5 Ó Igreja, esquece ao longe as indústrias da cruz, Só o Amor é farol no humano sorvedouro, Deixa ao mundo infeliz as caixas-fortes de ouro E volta, enquanto é tempo aos braços de Jesus!… A. Guerra Junqueiro [1] Este poema, que no livro impresso não incorporam os dois últimos versos (4 e 5), foi publicado originalmente em 1935 pela LAKE e é a 7ª lição da 2ª parte do livro “Palavras do Infinito.” — Esse capítulo foi restaurado: Texto do livro impresso.