Luz bendita · Emmanuel. — Depoimentos diversos · Chico Xavier
Capítulo 99 de 104
Garcia Júnior
Escritor e Historiador Brasileiro. Crônica inserida na secção de “Contrastes e Confrontos”, em edição do Correio da Noite, de 18 de julho de 1944.
“…outros escritores desaparecidos deste mundo, mas que, graças, então, à habilidade e até mesmo certa inteligência do moço mineiro, continuam a andar tão vivos nas páginas que ele alinhava publicamente, para quem quiser ver, como qualquer um de nós outros que, aqui em baixo, ainda esprememos diariamente o miolo do crânio para ter com que comprar a noite miolo de pão! Ora, admitida que fosse a hipótese de o Chico Xavier poder imitar de modo mais amplo a Pedro Rabelo, que se atreveu a copiar a forma de estilo de Machado de Assis, mas tão somente em meia dúzia de páginas, então, convenhamos, o caso muda de figura. E muda, sobretudo, porque, ao contrário do incorrigível boêmio que se deu ao trabalho de escrever à maneira do criador de “Quincas Borba” à la manière de… como tinha feito alguém na França — o nosso Chico Xavier, dada a obra já produzida, está desde já a merecer a glorificação de gênio… De resto, subsiste uma circunstância que mais servirá ainda para exaltá-lo aos que insistem teimosamente na ideia do, pasticho: é que o Chico Xavier trabalha a sua obra diante de quem quer que o deseje ver: basta apenas que lhe ponham à frente dos olhos algumas laudas de papel e um lápis, tal como o viu Agripino Grieco, faz alguns anos, lá mesmo em Pedro Leopoldo! … Acresce outro detalhe sobremaneira relevante: se se trata de um pastichador (extraordinário, que é esse Chico Xavier!), como pode ele escrever à maneira não só do saudoso autor de “Carvalhos e Roseiras”, como também dentro do estilo inimitável de Augusto dos Anjos, de Eça de Queirós? Será que ele guarda o próprio Diabo dentro do corpo? Entretanto, como mudaria certamente o quadro, se todos nós crédulos ou incrédulos — nos dispuséssemos a pensar um segundo acerca das coisas sobrenaturais! Se refletíssemos, por exemplo, sobre aqueles dois versos famosos que nos foram deixados pelo imortal cantor dos “Lusíadas”, e que retratam a dúvida que o atormentava: “Uma verdade que rias coisas anda Que mora no visível e no invisível.”