Luz bendita · Emmanuel. — Depoimentos diversos · Chico Xavier

Capítulo 63 de 104

Moacyr Salles

Escritor, Poeta, com obras publicadas de grande valor literário ele é citado com um seu poema no livro “Poetas do Brasil”, onde figuram os maiores nomes da literatura nacional. “Um médico anapolino me disse, certa vez, que bastaria o livro “Parnaso de Além-túmulo” para atestar a perfeição da mediunidade de Chico Xavier, valendo, ainda, como elemento de prova da comunicação dos mortos. De fato, naquela obra — a primeira das cento e cinquenta publicadas com a assinatura do famoso intérprete, encontra-se um valioso registro da lavra de além-túmulo, endereçada aos mortos do mundo do vivos. Assisti, em várias oportunidades, ao veloz movimento do lápis, fazendo o Chico fluir mensagens admiráveis, como se visse, das entranhas da terra, brotar uma fonte no alto e a água despejar-se em cachoeira, na lauda do solo. Desse jorro, diz M. Quintão, prefaciando aquele livro : — “Não há ideação prévia, não há encadeamento de raciocínio, fixação de imagens. É tudo inesperado, explosivo, torrencial!” — Na perfeição de cada estilo, não é necessário anunciar Emilio de Menezes, em “Recado”: “No incenso a Baco já não me agonizo, Prossigo além, exótico e discreto, Mangando embora, mas com regra siso…”

(Antologia dos Imortais)

Nem se precisa dizer que é Alvarenga Peixoto, em “Redivivo”:

“Divina lira, Musa que inspira, Meu coração, A relembrar….

Celebra, amena, A vida plena, A paz sublime.

A luz sem par.”

(Cartas de Coração)

Nem que é Augusto dos Anjos, em “Vozes de uma sombra”:

“Donde venho? Das eras remotíssimas, Das substâncias elementaríssimas, Emergindo das cósmicas matérias.

Venho dos invisíveis protozoários, Da confusão dos seres embrionários, Das células primevas, das bactérias”

(Parnaso de Além-Túmulo)

Ou Alceu Wamosy, em “Página ao Homem”:

“Romeiro da ansiedade, em lágrimas avanças, A estrada é solidão enquanto a luz declina Esbravejam bulcões na tela vespertina, Faz-se a noite aguaceiro em súbitas mudanças!”

(Poetas Redivivos).

[Um caso de Pneumatografia]

Em 1975, vindo de umas férias, com esposa e filho (esse contava três anos de idade), fizemos uma visita ao Chico, em, Uberaba. Sala cheia, como sempre, fila zigue-zagueando dentro e fora do salão, esperei a oportunidade e consegui chegar ao médium. Conversando sobre determinado caso, Chico me informou: — “Há aqui um médico homeopata e eu vou ouvi-lo, sobre o nome do remédio”. — Pensei eu estivesse o médico na assistência, mas Chico se levantou, para ir à cabine de recepção de mensagens. Ficou de pé, na porta, pois um grupo de senhoras cercou-o, não lhe dando ensejo nem de entrar na cabine nem de sentar-se. E o tempo passou — meia hora, no mínimo. Meu menino, no braço da mãe, demonstrava cansaço e eu, receando prolongar-se a espera, propus ao Chico me deixasse levar a família ao Hotel e, depois, ficaria na sala aguardando, o tempo que fosse preciso, o resultado da conversa que ele viesse a ter com o doutor. — “Não é preciso — observou — aqui está o nome do remédio”. E desdobrou um papel branco, contendo o nome do medicamento, o do laboratório, seu endereço e apreciações outras — tudo gravado à tinta manuscrita. — Estivera eu todo o tempo a seu lado e não tenho dúvida de que ele não escreveu nada nesse período, pois as inúmeras consulentes não lhe deram folga. O papel apareceu em sua mão, com os elementos de orientação bem expressos. Falei, outras vezes, com o Chico; mas nem tive oportunidade de tocar no assunto com ele, fazendo as minhas perguntinhas de acupuntura. Nem mesmo lhe contei que, chegando daquela vez mesmo, a Goiânia, telefonei para São Paulo, encomendando o remédio cujo nome apareceu inentendidamente no papel branco. E que veio do outro lado do fio, a informação: — “Como o senhor sabe desse remédio? Agora é que estamos acabando de o produzir!” (O Popular — Goiânia — 25.9.1977)