Luz bendita · Emmanuel. — Depoimentos diversos · Chico Xavier
Capítulo 61 de 104
Aparício Fernandes
Escritor, Jornalista, Poeta, Radialista e eminente homem de letras, nascido na cidade de Acari, Estado do Rio Grande do Norte. Em 1965, a Federação Espírita Brasileira publicou a antologia “Trovadores do Além”, organizada pelo médico (e trovador) Elias Barbosa, residente em Uberaba, Minas Gerais. O livro enfeixa 312 trovas de autores desencarnados, isto é, de poetas já falecidos, que retornaram, em espírito, para, através das faculdades do médium, fazer chegar aos seus irmãos deste mundo algumas das trovas que continuam a compor na Vida Espiritual. O médium é mero instrumento intermediário. Para isto cede seu corpo (ou apenas seu braço) a fim de que o poeta desencarnado, utilizando-se dele, possa escrever a trova que fez. As trovas figurantes no livro “Trovadores do Além” foram psicografadas (isto é, recebidas mediunicamente), pelos médiuns Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira. O primeiro é um dos mais famosos médiuns espíritas do mundo, cuja vida de renúncia, humildade e caridade incondicionais a muitos tem edificado… Serão realmente dos trovadores do além-túmulo essas trovas? Eis uma questão cuja resposta depende do entendimento de cada um da perseverança e seriedade com que se empenha em pesquisar a Verdade. O que podemos dizer é que nossos olhos se encheram de lágrimas, quando lemos, pela vez primeira, estas trovas, atribuídas ao Espírito de Aldemar Tavares:
1 O regozijo da morte, que ninguém sabe dizer, tem a beleza da noite no instante do amanhecer.
2 Ouvi alguém que dizia: — “Lá se vai o poeta morto”, sem perceber a alegria do sonho chegando ao porto.
3 No momento derradeiro, antes do sono feliz, compus em gotas de pranto a trova que nunca fiz.
4 Afeições enternecidas meus derradeiros amores!… Deus vos salve, mãos queridas, que me cobristes de flores!…
5 Celeste amor que perdura atende a roteiro assim: ilimitada ternura no entendimento sem fim.
6 Morte!… No termo das provas, Senhor, agradeço a luz com que adornaste de trovas as trevas de minha cruz! Aldemar Tavares Nas trovas acima, duas são de rima simples — o que era comum em Adelmar Tavares — mas tem a singeleza e a espontaneidade característica do saudoso poeta. Tivemos o prazer de conhecer pessoalmente o Dr. Adelmar, já velhinho, com o qual conversamos várias vezes. Constatamos de perto a bondade e o lirismo de sua alma de poeta. Por outro lado, lemos e relemos inúmeras vezes suas poesias e trovas. Ora, em nossa opinião, tanto no estilo como no sentimento, essas trovas são tipicamente de Adelmar Tavares. Para que o leitor possa comparar, extraímos da obra do grande trovador pernambucano as trovas que se seguem, as quais apresentam nítidos pontos de contato com as outras trovas, que Adelmar Espírito nos enviou através da mediunidade de Chico Xavier: A morte não é tristeza é fim, é destinação.
— Tristeza é ficar vivendo, depois que os sonhos se vão… Trovas, trovas da minha alma! Da vida quando eu me for, sede o humilde travesseiro do sono de um sonhador. Quando eu morrer, levo à cova, dentro do meu coração, o suspiro de uma trova e o gemer de um violão. Neste mundo, a certas vidas, a morte seria um bem.
Mas até a própria morte se esquece delas também… Mãe, que os meus versos incensam! Quando eu vim do mundo à luz, foi na cruz de tua bênção que eu vi a vida — uma cruz. Alguém já disse, e é verdade, que o sentimento do amor, ou se faz eternidade, ou, então, não é amor… Trova que vens novamente encher o meu coração, — sê bendita, luz divina, amor de consolação.
Que contraste tem a Sorte! No mundo, que ingrata lida! — A Vida chorando a Morte… E a Morte rindo da vida… Adelmar Tavares Para os que acreditam, é uma alegria e um consolo esta certeza de imortalidade. Para os descrentes, será, pelo menos, uma esperança. (Livro Trovas no Brasil)