Instruções psicofônicas · Chico Xavier
Capítulo 56 de 71
Homenagem ao Tiradentes - Olavo Bilac
Na reunião da noite de 21 de abril de 1955, no horário consagrado às instruções, comunicou-se nosso amigo espiritual José Xavier, recomendando-nos: — “Rogamos aos companheiros mais dois ou três minutos de silêncio, em oração, a fim de que o poeta Olavo Bilac, hoje presente às nossas tarefas, algo nos diga, como é de seu desejo, sobre a memória do Tiradentes.” Minutos após, com a transfiguração habitual do médium, assinalamos a presença do grande poeta brasileiro, cuja palavra eloquente se fez ouvida em nosso recinto, no soneto que passamos a transcrever: TIRADENTES
1 Freme, na Lampadosa, a turba em longas filas.
Estandartes… Clarins… A praça tumultua…
Tiradentes, o herói, ante os gritos da rua, Entra guardando a cruz nas magras mãos tranquilas.
2 — “Morra a conjuração da sombra em que te asilas!”
— “Morte ao traidor do reino!…” — É a gentalha que estua.
E ele sobe, sereno, à forca estranha e nua, Trazendo o sol da fé a inflamar-lhe as pupilas.
3 Logo após, é o baraço, o extremo desengano…
O mártir pensa em Cristo e envia ao povo insano Um gesto de piedade e um olhar de amor puro.
4 Age o carrasco, enfim… O apóstolo balança…
E Tiradentes morre, entre o sonho e a esperança, Contemplando, enlevado, o Brasil do futuro.
Olavo Bilac