Instruções psicofônicas · Chico Xavier

Capítulo 69 de 71

Ao viajante da fé - Cruz e Souza

Retirando-se André Luiz, o nosso companheiro José Xavier controlou as faculdades do médium e anunciou-nos a presença do poeta Cruz e Souza, recomendando-nos alguns instantes de oração e silêncio. Com efeito, como de outras vezes, alterou-se a expressão mediúnica e, daí a momentos, o novo visitante declamou em voz alta e firme: AO VIAJANTE DA FÉ

1 Vara o trilho espinhoso, estreito e duro, E embora te magoe o peito aflito, Torturado na sede do Infinito, Guarda contigo o amor sublime e puro.

2 Martirizado, exânime e inseguro, Ninguém perceba a angústia de teu grito.

Sangrem-te os pés nos serros de granito, Segue, antevendo a glória do futuro.

3 Lembra o Cristo da Luz, grande e sozinho, E, entre as sarças e as pedras do caminho, Sobe, olvidando o báratro medonho…

4 Somente sobe ao Céu Ilimitado Quem traz consigo, exangue e torturado, O próprio coração na cruz do sonho.

Cruz e Souza [1] [No livro impresso, esse e o capítulo anterior formam um só; vide nota de rodapé do índice.]