Ideias e ilustrações · Autores diversos · Chico Xavier

Capítulo 4 de 41

DO SERVIÇO: O valor do serviço/Neio Lúcio - Trovas: Jovino Guedes/Benedito Candelária Irmão - Excerto: André Luiz

Do serviço O valor do serviço

1 Filipe, velho pescador de Cafarnaum, enlevado com as explanações de Jesus sobre um texto de Isaías, passou a comentar a diferença entre os justos e injustos, de maneira a destacar o valor da santidade na Terra.

2 O Mestre ouviu calmamente, e, talvez para prevenir os excessos de opinião, narrou, com bondade:

— Certo fariseu, de vida irrepreensível, atingiu posição de imenso respeito público. Passava dias inteiros no Templo, entre orações e jejuns incessantes. Conhecia a Lei como ninguém. Desde Moisés aos últimos Profetas, decorara os mais importantes textos da Revelação. Se passava nas ruas, era tão grande a estima de que se fizera credor, que as próprias crianças se curvavam, reverentes. Consagrara-se ao Santo dos Santos e fazia vida perfeita entre os pecadores da época. Alimentava-se frugalmente, vestia túnica sem mancha e abstinha-se de falar com toda pessoa considerada impura.

3 Acontece, todavia, que, havendo grande peste em cidade próxima de Jerusalém, um Anjo do Senhor desceu, prestimoso, a socorrer necessitados e doentes, em nome da Divina Providência.

4 Necessitava, porém, das mãos diligentes de um homem, através das quais pudesse trabalhar, apressado, em benefício de enfermos e sofredores.

5 Lembrou-se de recorrer ao santo fariseu, conhecido na Corte Celeste por seus reiterados votos de perfeição espiritual, mas o devoto se achava tão profundamente mergulhado em suas contemplações de pureza que não lhe sobrava o mínimo espaço interior para entender qualquer pensamento de socorro às vítimas da epidemia.

6 Como cooperar com o emissário divino, nesse setor, se ele evitava o menor contato com o mundo vulgar, classificado, em sua mente, como vale da imundície?

7 O Anjo insistia no chamamento; contudo, a peste era exigente e não admitia delongas.

8 O mensageiro afastou-se e recorreu a outras pessoas amantes da Lei. Nenhuma, entretanto, se julgava habilitada a contribuir.

Ninguém desejava arriscar-se.

9 Instado pelas reclamações do serviço, o Enviado de Cima encontrou antigo criminoso que mantinha o propósito de regenerar-se. Através dos fios invisíveis do pensamento, convidou-o a segui-lo; e o velho ladrão, sinceramente transformado, não hesitou. Obedeceu ao doce constrangimento e votou-se sem demora, com a espontaneidade da cooperação robusta e legítima, ao ministério do socorro e da salvação.

10 Enterrou cadáveres insepultos, improvisou remédios adequados à situação, semeou o bom ânimo, aliviou os aflitos, renovou a coragem dos enfermos, libertou inúmeras criancinhas ameaçadas pelo mal, criou serviços de consolação e esperança e, com isso, conquistou sólidas amizades no Céu, adiantando-se de surpreendente maneira no caminho do Paraíso.

11 Os presentes registaram a pequena história, entre a admiração e o desapontamento e, porque ninguém interferisse, o Senhor comentou, em seguida a longo intervalo:

— A virtude é sempre grande e venerável, mas não há de cristalizar-se à maneira de joia rara sem proveito. Se o amor cobre a multidão dos pecados, o serviço santificante que nele se inspira pode dar aos pecadores convertidos ao bem a companhia dos anjos, antes que os justos ociosos possam desfrutar o celeste convívio.

12 E observando que os ouvintes se retraíam no grande silêncio, o Senhor encerrou o culto doméstico da Boa-Nova, a fim de que o repouso trouxesse aos companheiros multiplicadas bênçãos de paz e meditação, sob o firmamento pontilhado de luz. Neio Lúcio * Sobriedade em tudo e sempre, Mas nunca te esqueças disso:

Quem vive só de recato Nunca termina serviço.

Jovino Guedes * Ação e verbo!… Entre os dois, Nunca se iluda você.

Palavras o vento leva, A fé nas obras se vê.

Benedito Candelária Irmão * É muito provável que, por enquanto, seja plenamente dispensável a sua cooperação no paraíso. É indiscutível, porém, a realidade de que, no momento, o seu lugar de servir e aprender, ajudar e amar, é na Terra mesmo. André Luiz [1] Esta mensagem foi publicada originalmente em 1950 pela FEB e é a 26ª lição do livro “Jesus no lar.”