Horas de luz · Familiares diversos · Chico Xavier

Capítulo 5 de 15

José Benedito da Silva

1 Querida Emília, ainda escrevo com muita dificuldade.

2 Não sei, mas tenho a impressão de trazer comigo o frio da lagoa, toda vez que me lembro da tarrafa e do mergulho.

3 Às vezes, penso que é o frio de saudade da sua presença e do nosso Rodrigo, que fui obrigado a deixar, quando nosso filhinho mais necessitava de mim. Estou bem.

4 Encontrei, em nossa avó Maria Emília, o apoio de que precisava para deslanchar-me do lugar de minha despedida que ficou sendo para mim um lugar triste.

5 Os companheiros julgaram que estivesse na posição de afogado, e ainda ouvi a palavra de um deles, falando em respiração boca-a-boca, entretanto, digo a você que o motor do peito parou, justamente quando as águas me cobriram no mergulho a que me entreguei para verificar os efeitos de nosso trabalho.

6 De começo, experimentei uma forte asfixia, sem tragar qualquer gota d’água, e depois veio sobre mim um sono invencível.

Lutei contra esse torpor que me assaltava, mas não adiantou.

Era como se meu corpo parado fosse uma lâmpada repentinamente queimada.

7 A eletricidade da vida continuava comigo, mas estava descontrolado e sonolento.

7 Quando despertei, fiquei ciente de que me achava muito longe de Santa Rosa, de sua companhia e de nosso filhinho, de cuja presença sempre sentia tanta falta, quando fora de casa.

8 Confesso a você que chorei, no entanto, estou treinando aceitação da vontade de Deus e espero melhorar-me, a fim de ser útil a você, ao nosso filho querido e a todos os nossos.

9 Você não se amedronte com as ideias de viuvez e solidão.

Estamos juntos e confio em que me fortalecerei para ser o seu apoio.

10 Deus, que promove alimento para os próprios passarinhos, não deixará você em falta desse ou daquele recurso.

11 Não desejo ver você acabrunhada e chorosa.

Nosso Rodrigo precisa de você e, como ele, eu também, porque necessito da sua coragem para reanimar-me a cada lembrança negativa que ainda me visita, ao recordar o mergulho em que a morte me esperava.

12 Querida Emília, seja forte e paciente.

Estou aconselhando a você, as duas forças da vida de que ainda mais preciso.

Apesar disso, meu pedido é este mesmo, porque estarei espiritualmente escorado em sua fé em Deus e em sua força.

13 As orações do papai Eugênio me auxiliam com segurança e, por todas as bênçãos que tenho recebido, nada tenho que me queixar, pois tenho tudo para agradecer.

14 Com o nosso anjo do coração, apelo a você conservar a certeza do amor, sempre mais amor do esposo, e amigo, companheiro e servidor muito grato de sempre, José Benedito da Silva Dados esclarecedores sobre a mensagem de José Benedito da Silva Na “Folha Espírita” (São Paulo, maio de 1984. Ano XI — n.º 122), eis o que nos diz Paulo Rossi Severino sobre esta bela mensagem que acabamos de ler, recebida a 13 de agosto de 1983, e o seu autor espiritual: “José Benedito da Silva nasceu em Santa Rosa do Viterbo (SP), a 31/8/1949, renascendo para a vida espiritual a 8/3/1983, quando foi tragado pelas águas da Lagoa Quebra Cuia, na mesma cidade. “Através da mensagem recebida por Chico Xavier, ele esclarece: “Os companheiros julgaram que estivesse na posição de afogado, e ainda ouvi a palavra de um deles, falando em respiração boca-a-boca, entretanto, digo a você que o motor do peito parou, justamente quando as águas me cobriram no mergulho a que me entreguei para verificar os efeitos de nosso trabalho. “De começo, experimentei uma forte asfixia, sem tragar qualquer gole d’água, e depois veio sobre mim um sono invencível.”

Portanto, fica esclarecido, pela psicografia, que a morte não ocorreu por afogamento.

O popular Zé Furado, apelido adquirido por causa do seu queixo, sempre residiu na cidade onde nasceu.

Era motorista da Prefeitura e desde criança foi muito estimado por todos, tendo, por isso, inúmeros amigos. José Benedito era católico, de gênio alegre e descontraído, gostava de contar piadas, tendo especial predileção por caçadas e pescarias. Tinha fama de bom nadador.

Era casado com D. Emília Paulino da Silva e sempre viveram felizes, principalmente após a chegada do filhinho Rodrigo, que deixou com apenas 10 meses de idade. Na manhã de 8/3/1883, saiu para uma pescaria com alguns amigos, quando o fato ocorreu.

Ao saber a notícia, D. Emília ficou desnorteada. Deixemos que ela mesma conte:

“Eu vivia muito feliz ao lado de meu querido marido, Zé. Ele era tudo para mim, e a separação violenta com sua morte, deixou-me desesperada. “O desânimo tomou conta de mim, nada mais estava bom e também pensava em morrer.

“Sofrendo muito com toda essa confusão na cabeça, fui a Uberaba, à procura de Chico Xavier.

“Recebi palavras de conforto e depois, para minha alegria, a mensagem do Zé.

“A emoção tomou conta de mim, nem sei explicar o que sentia naquele momento.

“Voltei de Uberaba muito confortada, com novo ânimo para viver e cuidar de nosso filhinho Rodrigo.

“Graças a Deus e ao Chico Xavier, estou prosseguindo, embora com muitas saudades, pois a falta do meu esposo é muito grande.

“Agradeço a atenção a mim dispensada pelo Dr. Eurípedes Higino dos Reis, e a todos que me ajudaram com tanta bondade.”

A Carta de José Benedito à esposa demonstra que o amor nunca desaparece dos corações daqueles que nos antecederam na separação provisória. A saudade dos entes queridos corresponde a um espaço que ninguém consegue preencher.

Temos, ainda uma vez, o consolo e o conforto de um esposo e pai, transmitindo sua ternura aos familiares que permanecem no Plano Físico, através da psicografia. Assim, a Doutrina Espírita continua confortando corações em sua trajetória de “Consolador Prometido”, revivendo a pureza dos primórdios do Cristianismo.

1 — Emília Paulino da Silva: Esposa, residente à Rua Eduardo Gubitoso, 27 — Cohab — Santa Rosa do Viterbo, Estado de São Paulo.

2 — Rodrigo: Filhinho de 10 meses de idade.

3 — Maria Emília: Avó desencarnada, há mais de 40 anos.

4 — Eugênio: Francisco Eugênio da Silva, pai, desencarnado a 5 de novembro de 1982.

Ainda imersos no clima de beleza que a mensagem de José Benedito da Silva nos induziu, resta-nos pedir escusas ao distinto jornalista espírita — Paulo Rossi Severino — pela iniciativa que tomamos de abrir parágrafos em todo o seu excelente trabalho e na página psicografada pelo médium Xavier, visando a tornar a leitura do texto mais fácil. Que o Divino Mestre nos abençoe e possamos continuar reverenciando Allan Kardec, percorrendo-lhe as páginas luminosas, diariamente, palavra a palavra! Elias Barbosa