Horas de luz · Familiares diversos · Chico Xavier
Capítulo 3 de 15
Édimo José de Lima Júnior
1 Querida mamãe, peço a sua bênção.
2 Estou ainda muito fraco.
Penso ainda que me acho no tratamento final que me devolva a saúde, mas o vovô Jerônimo e o tio Milton me trouxeram aqui para rogar à senhora muita paciência e fé em Deus.
3 Mãezinha, venho pedir à senhora, a meu pai e à vovó Iuca, não julgarem que fui vítima de abandono.
Mamãe, os médicos não merecem acusações.
Eles fizeram tudo para seu filho.
A inflamação era muita.
Não havia dreno para atender às necessidades do meu corpo doente.
4 Venho pedir para aceitarem a Vontade de Deus.
Meu avô fala na Vontade de Deus e é o que posso compreender como sendo a lei que não me permitia demora por mais tempo.
5 Eu sei, mãezinha, que nós todos queríamos que eu ficasse…
Eu, também, olhava nos seus olhos a aflição que estava dentro de mim.
A senhora e Cecília eram meus espelhos.
Ficava fitando as duas para ver as reações.
6 Creia, mamãe.
Não fui esquecido no hospital.
Acontece que o tempo estava esgotado para mim.
7 Peço à senhora e ao papai lembrarem os meninos que perdem a vida nas maiores necessidades.
Vovô Jerônimo pede para refletirmos nisso, e declara que Deus não abandona a ninguém.
8 Quando é preciso ficar, como eu queria, diz ele que Deus envia os medicamentos pela água pura ou pelo ar, simplesmente.
9 Isso não quer dizer que a pessoa deve viver sem remédios quando pode adquiri-los, mas se a pessoa não pode, a Mão Oculta do Céu protege a todos os que se imaginam desamparados.
10 Peço à senhora consolar a nossa Cecília e dizer para ela que serei um irmão. Vou melhorar e, depois de curado, quero aprender a ser útil a todos os que ficaram aí. Rogo a Deus para que vovó esteja com calma, sem perder a fé em Deus.
11 Mãezinha querida, peço-lhe cuidar de alimentar-se com segurança.
Os irmãos continuam precisando de sua proteção, principalmente Elcione e Ione.
Abraços aos meus irmãos.
12 Peço à senhora não deixar a tristeza ficar morando em nossa casa.
Veja, mamãe, o sol cada manhã, e recorde que a luz do Céu é um convite para que a alegria de Deus esteja conosco.
13 O tio Milton envia lembranças à querida tia e a todos da família.
Pedindo à sua bondade rezar pela paz de nós todos, naquela confiança em Deus que a senhora sempre nos ensinou, pense, mãezinha, que ainda estou doente, precisando de seu amparo.
14 Diga ao papai que os amigos daqui vão auxiliar a ele para que as preocupações desapareçam. Sei que a minha doença foi uma aflição pesando em todos.
15 Mamãe, confie em Deus e sinta-me beijando o seu rosto.
Não quero vê-la triste, e nem revoltada com pessoa alguma.
Somos de Deus e Deus nos protegerá.
16 Mãezinha, pense em mim pedindo-lhe paciência com as lutas da vida e note que em seu querido coração está batendo o coração do seu filho, sempre o seu filho, Édimo Édimo José SEGUNDA MENSAGEM DE ÉDIMO JOSÉ
1 Querida mãezinha e querido papai, abençoem-me.
2 A vovó Maria Carolina me trouxe apenas para rogar à mãezinha e à querida vovó Iuca não pensarem em mim com tristeza. Estou bem.
3 Mais tarde, escreverei.
4 Muitos beijos do filho do coração, Édimo José TERCEIRA MENSAGEM DE ÉDIMO JOSÉ
1 Querida mãezinha e querido pai Édimo, peço-lhes a bênção.
2 Aqui, apenas algumas palavras com as quais peço à mamãe prosseguir em sua nova jornada espiritual, auxiliando aos companheiros de minha faixa, para que se desenvolvam felizes.
3 Mãezinha, não tema os compromissos do trabalho, e com o apoio de meu pai, estaremos ligados nos mesmos laços de serviço.
4 Lembro-me de nossa querida Cecília, e rogo a Jesus abençoá-la.
5 Peço à vovó Iuca prosseguir garantindo-me o crédito com as orações repletas de confiança, nas quais a vovó me faz mais firme e mais forte em minhas resoluções,
6 O vovô Jerônimo e o tio Milton, aqui conosco, lhes deixam um grande abraço, e eu divido entre os dois o coração do filho muito grato de sempre, Édimo José QUARTA MENSAGEM DE ÉDIMO JOSÉ
1 Querida mãezinha, peço a sua bênção.
2 Não poderia me esquecer da promessa.
Estou aqui a fim de participar à nossa irmã D. Lourdes que a nossa Cristina chegou tranquila, repousando no carinho do avô dela, de nome Reinaldo.
3 Quem não acredite que gente moça não se libera do corpo da Terra por desajustes no coração, fique acreditando. Cristina sentiu uma parada cardíaca, que não lhe permitiria mais um cérebro regular.
Se continuasse na experiência física, teria de arranjar uma paralisia que não devia interromper-lhe o caminho de progresso. Sei que a família chora a ausência dela, entretanto, se ficasse, seria ela a chorar por dentro de si mesma uma provação da qual não encontraria o caminho de volta.
4 Mãezinha, tudo está certo nas Leis de Deus, ainda que, muitas vezes, certas ocorrências nos pareçam erros da vida ou da natureza. Peço, mamãe, ao seu carinho, continuar com as suas preces e tarefas espirituais.
5 Sinto que o papai Édimo ainda não conseguiu abrir o coração para a fé, mas Deus permitirá que essa luz bendita o alcance a qualquer momento próximo.
6 Quero dizer à nossa Elcione que não a esqueço e que peço a Jesus lhe conceda muita saúde e alegria.
7 A nossa Cecília continua em minha lembrança, e desejo a ela toda a felicidade que uma pessoa, na Terra, seja capaz de sentir.
8 Mãezinha, não tenho perdido tempo.
Tenho assimilado excelentes lições e creio que já posso dizer que sou o seu rapaz.
Muitas lembranças à vovó Iuca, a quem peço me abençoe, e um grande abraço a meu pai, extensivamente a todos os nossos.
9 Querida mãezinha, muito obrigado pelo seu esforço em consolar-se.
As suas melhoras são igualmente minhas.
10 Com muita esperança em nosso futuro melhor, beija-lhe as mãos queridas o seu filho, sempre seu Édimo José Dados esclarecedores sobre as mensagens de Édimo José Entrevistamos D. Maria Ionez Alexandre de Lima por duas vezes, em Uberaba, a primeira na casa de sua prima, Sra. Glacy de Oliveira, à Rua Delfim Moreira, n.º 534, na tarde de 19 de fevereiro, e a segunda, em nossa residência, a 30 de setembro de 1983. Eis o que conseguimos apurar:
Nasceu Édimo José de Lima Júnior em Uberlândia, Minas, a 1.º de junho de 1963, aí desencarnando a 24 de outubro de 1978, sete dias depois de apendicectomizado, em consequência de peritonite. Filho do Sr. Édimo José de Lima e de D. Maria Ionez Alexandre de Lima, residentes à Rua Tuiuti, 327, Bairro Tabajaras, fone: 034 3234-3313. Aos 15 anos, cursava o 1º Colegial, no Colégio Promove de Uberlândia.
Inteligente, moral elevada, — diz-nos D. Maria Ionez — pressa para tudo, educado, sociável, humilde, rodeado de vários amigos, n defensor dos mais fracos, brilhou em todos os setores, com seu próprio esforço. Obteve razoável número de medalhas em vôlei e xadrez.
Aos 13 anos de idade, começou a namorar Cecília Borges Tannús, filha do Sr. Marco Antônio Vilela Tannús e D. Leny Borges Tannús, e neta do distinto poeta e clínico geral Dr. João Manoel Tannús (Prata, MG, 12/6/1912 — Uberlândia, MG, 12/7/1980), que deixou dois belos poemas — “Destino Amargo” e “Sorte Cruel”, — no último dos quais há este antológico passo: “Oh ironia da vida Tornar ao meio partida De duas meigas crianças A haste das esperanças!”