Gratidão e paz · Familiares diversos · Chico Xavier

Capítulo 17 de 25

Acácio Costa Freitas Neto

Acácio Costa Freitas Neto, de 29 anos, casado, já estava em Goiás, há 4 anos, administrando a fazenda da família, quando foi atingido mortalmente por arma branca.

Os detalhes dessa lamentável ocorrência, que teve lugar na Vila Maralina, município de Mara Rosa, GO, a 7 de março de 1983, foram descritos por ele mesmo, em Espírito, na sua primeira e confortadora carta mediúnica.

Nessa mensagem, recebida em 9 de julho de 1983, portanto, poucos meses depois do fato, Acácio, amparado por familiares queridos do Mais Além, demonstrava elevado entendimento e já externava o seu perdão ao “infeliz irmão”.

Colocava, assim, em prática os ensinamentos assimilados no Centro Espírita que frequentava em Uruaçu, GO, e nos livros espíritas, que se tornaram seus companheiros inseparáveis, nos últimos tempos de sua vida terrena. Aliás, ele enfatizava aos amigos e confrades a necessidade da prática das lições hauridas da leitura, conforme veremos o depoimento de uma amiga poetisa. Ultimamente, também em vida material, Acácio havia assistido, por duas vezes, os trabalhos práticos do GEP, em Uberaba, admirador que era de Chico Xavier, sem ter tido a oportunidade de dialogar com ele. E nessas ocasiões, nunca imaginando, certamente, que naquele mesmo salão viria em Espírito, como mensageiro do Bem e do Amor, para consolar e orientar seus queridos pais, esposa, filhos e familiares, em testemunhos que muito nos enriquecem e sensibilizam. PRIMEIRA CARTA

1 Querida mãezinha Nelcy, com o papai Ademar, receba os meus agradecimentos, com os meus pedidos de bênção e apoio como sempre.

2 Sou conduzido pela vovó Maria Rola que me encorajou a trazer-lhes notícias. Estou bem, depois de um período difícil de reajustamento.

3 A separação compulsória de Nicilene e meus filhos, dos queridos pais e de todos os nossos, de começo, me arrasava o coração. Graças a Deus, amparado por minha avó Maria e pela vovó Anna, reconheci que me cabia esquecer as condições amargas que cercaram a minha liberação da vida física.

4 Mãezinha Nelcy, compreendo que fui a vítima da lâmina que me penetrou o peito pelas costas, mas penso em Jesus e estou confortado por não ter erguido a mão para revidar.

5 Aliás, o pobre amigo que me separou do corpo, estava super-excitado e incapaz de controlar os próprios impulsos.

6 Tive a infelicidade de recusar-lhe a mão de amigo num momento em que a irritação igualmente me assinalava e, de certa forma, devia de minha parte solicitar-lhe desculpas e ofertar-lhe a mão em sinal de amizade e atendimento.

7 O meu gesto de indiferença gerou nele a excitação com que me cortou o corpo, quando eu precisava tanto continuar viver em família.

8 Naquela hora, tarde demais para qualquer conciliação, pensei nos pequeninos nossos que eu deixava. O Acácio Júnior e outros, entre os quais coloco o nosso Rodrigo, que sendo o meu filho, aparentemente fora de casa, nunca esteve fora de nós. Agradeço à Nicilene a dedicação que lhe dá, amparando-lhe o desenvolvimento junto de nossos próprios filhos, e peço a Deus recompense também aos queridos pais pelo carinho que dispensam à família que lhes leguei.

9 Desejo terminar pedindo ao papai e aos nossos familiares não agravarem a situação do companheiro a que não posso censurar. Deus nos criou irmãos uns dos outros e não posso considerar como agressor o amigo que continuo a respeitar por filho de Deus e meu “irmão” perante a vida.

10 Agora, querida mamãe Nelcy, é o momento de meu até quando? Sabe Deus. Contento-me com a certeza de que estamos todos unidos para sempre.

11 Querida mãezinha e querido papai Ademar, recebam com a esposa e meus filhos queridos a gratidão e a confiança inalteráveis do filho e amigo de todos os momentos, Acácio Costa Freitas Neto Notas e Identificações

1 - Nelcy e Ademar — Seus pais, Nelcy Freitas Costa e Ademar da Costa Lopes, residentes em Ribeirão Preto, SP.

2 - Vovó Maria Rola — Bisavó paterna, desencarnada em Piuí, MG, a 19/12/1967.

3 - Nicilene — Nicilene Machado, esposa.

4 - Vovó Anna — Anna Rodrigues Cortes, desencarnada em Uruana, GO, a 11/8/1964.

5 - Acácio Júnior e Rodrigo — Acácio Costa Freitas Júnior e Rodrigo Sandre Costa, filhos.

6 - Em 23/7/1984, D.ª Nelcy recebeu um exemplar do livro A Vida e o Tempo (Edições Garatuja, Editora Comercial Safady Ltda., S. Paulo, SP, 1984), com dedicatória da própria autora, D.ª Áurea Celeste Martins, sua amiga, residente em Uruaçu, GO, presidente do Centro Espírita que era frequentado pelo Acácio. Tal obra veio também com dedicatória e carta da filha de D.ª Áurea, Sandra Maria Martins Fidélis, colaboradora da mesma com quatro poesias. Nessa carta, Sandra esclareceu que a poesia “A Um Amigo” foi escrita em memória de seu amigo Acácio. E ao redigi-la, no dia seguinte ao triste acontecimento, recordou-se do carinho que ele demonstrava pelo livro Pão Nosso (F. C. Xavier, Emmanuel, FEB), seu companheiro inseparável, e de alguns comentários que ela ouviu de seus lábios sobre temas daquela obra, especialmente argumentando a respeito da necessidade de se praticar os ensinamentos lidos. A seguir, transcreveremos três estrofes (2º, 3º e último) da poesia “A Um Amigo”, escrita em 8/3/1983: “Mais uma jornada na Terra terminou, Na hora da partida seu sorriso ficou.

Esquecemos a incompreensão, o egoísmo, a falta de paciência, E recordamos sua alegria, seu sorriso, Você sabe que alguém muito lhe ajudou.

Pelos erros de um irmão, quero lhe pedir Não guardar nenhum rancor.

Aos amigos que aqui deixou, Aquele plá há de querer mandar.

Os inimigos que você no caminho encontrou, Perdoa-os pelas faltas que praticaram, Aprenda a amar para poder perdoar.

Palavras e frases, o seu eco soou, O Pão Nosso…

Recordo-me de suas palavras, Pedindo que a cada instante Pratique e guarde no coração, A página de um livro maravilhoso Que Chico Xavier psicografou, Pois sempre você o admirou.”