Gotas de luz · Casimiro Cunha · Chico Xavier
Capítulo 42 de 42
No santuário interior
1 Meu Senhor, Pai de Bondade, De luz e de Amor sem fim, Não me abandones à treva Que trago dentro de mim.
2 Não me deixes repousar No leito em flor da ilusão, Dá-me a bênção luminosa De tua repreensão.
3 De espírito encarcerado Nos débitos que inventei, Tenho sede do equilíbrio Que nasce de tua lei.
4 Controla-me a aspiração De ganhar e possuir, Sou teimoso e invigilante, Ensina-me a discernir.
5 Entrecruzam-se, em meu peito, Divergências, dissensões… Não me relegues ao jugo De minhas imperfeições.
6 A chaga alheia, Senhor, Sei curar, lenir ou ver, Mas sou tardo de visão Na esfera de meu dever.
7 Sou ágil no bom conselho Ao coração sofredor; Todavia, surdo e cego, Nos dias de minha dor.
8 Nas orações, quase sempre, Sou cópia dos fariseus, Sentindo-me, presunçoso, Dileto entre os filhos teus.
9 Não escutes, Pai Bondoso, Os rogos e brados mil Da ignorância que eu trago, Vaidosa, bulhenta, hostil…
10 Não satisfaças, no mundo, O orgulho atrevido e vão Que me faz triste e abatido Nos tempos de provação.
11 Põe freios duros e fortes Ao meu serviço verbal, Muita boca leviana Tem dado guarida ao mal.
12 Meus sentidos, enganados, Perturbam-me, muita vez. Às emoções desvairadas, Por compaixão, não me dês!
13 Que a tua vontade, enfim, Pronta a prever e prover, Seja em tudo e em toda a vida A minha razão de ser.
14 Meu Senhor, Pai de Bondade, De Luz e de Amor sem fim, Não me abandones à treva Que trago dentro de mim. Casimiro Cunha FIM