Gotas de luz · Casimiro Cunha · Chico Xavier
Capítulo 12 de 42
Grãos da Verdade
1 Se pretendes grande prêmio, Bela vida e boa fama, Não te faças tagarela, Nem te demores na cama.
2 Suporta com paciência As dores de teu roteiro. Mais vale a senda espinhosa Que as mãos de mau companheiro.
3 Dois dardos arremessamos, Lacerando o coração: — O insulto que sai da boca E a pedra que sai da mão.
4 Não publiques teu desgosto Por mais humilde e singelo. Quando o touro cai na praça Alguém afia o cutelo.
5 Cultiva o silêncio amigo. O tolo que cerra os lábios Pode ser admitido Como sábio entre os mais sábios.
6 Se procuras a alegria, Sonhando dias serenos, Pensa muito na jornada, Fala pouco e escreve menos.
7 No serviço construtivo, Guarda a vida bem segura. Meio palmo de preguiça Traz dez léguas de amargura.
8 Quem adota por sistema Cerimônia e condição, Começa gozando a paz E acaba na solidão.
9 Haja pranto na bigorna, Haja aspereza no malho, Ergue o corpo cada dia Para a bênção do trabalho.
10 De opiniões tresloucadas Não te percas ao sussurro. O burro que vai a Roma Segue asno e volta burro.
11 A caridade cortês, Desconhecida no Céu, Costuma esconder a bolsa E arregaçar o chapéu.
12 Quem foge à paz e à bondade Semeia discórdia e treva. Toda obra sem amor É folha que o vento leva. Casimiro Cunha