Falou e disse · Augusto Cezar Netto · Chico Xavier

Capítulo 10 de 22

Petição de rapaz

1 Jesus.

Sou aquele cara que estou aprendendo a fazer preces.

2 Ainda sou mocorongo neste negócio, mas não estou aqui de araque, nem estou dando uma esnobada.

3 Diante de sua grandeza, querido Jesus, ninguém pode e nem deve comparecer em onda quadrada. Vou explicar pra você tudo o que desejo.

4 Sei que meu pai sempre guinchou uma nota alta e me deu a barra mansa.

Tenho por ele muito respeito e muito amor. E rogo à sua bondade sustentar meu pai na caminhada sempre pra cabeça.

5 Mas hoje tenho mais alguma coisa a pedir.

Ajude o rapaz que ainda sou a não ser fechadão, nem grilado.

6 Afaste de minha estrada tudo o que seja fofocagens e fuzuês.

7 Não consinta que eu entre na canoa furada dos que procuram a jeribita para encher o tanque ou dos que buscam a diamba para enfumaçar a cuca doente.

8 Preciso de força total para fazer bem aos outros como manda o figurino.

9 Dê pra mim suas dicas a fim de que eu possa mandar a bola pra frente, no time do serviço ao próximo.

10 Você sabe, Jesus, que hoje estou estraçalhando o pinho, cantando esta prece para a jovem mulher que amo acima de tudo na vida.

11 Devo ser um cara legal nos deveres a cumprir, de modo que eu possa merecer esse tesouro.

12 Jesus, quero ser um rapaz bom e correto.

Você sabe porque — porque devo ser um presente de Deus para essa jovem mulher que amo tanto e amarei para sempre — a minha querida mãe. Augusto Cezar [1] Obs. Para melhor compreensão de algumas expressões utilizadas pelo autor espiritual vide Glossário de gírias.