Enxugando lágrimas · Familiares diversos · Chico Xavier

Capítulo 4 de 22

A fonte que nos lava o coração - Tereza Cristina

1 Querida mamãe, querido papai, peço para que me abençoem.

2 Estou num momento difícil. É verdade que temos estado juntos. De outras vezes separados pelas impressões. Unidos na mesma luz de confiança na prece.

3 Agora, porém, meu avô Izaltino me encoraja a escrever. “É preciso que sua mamãe saiba de tudo, que vocês não morreram”, diz ele.

4 E a permissão solicitada por ele veio até nós, mãezinha; rogo à senhora para que as lágrimas não sejam assim tão doloridas.

5 Compreendo, hoje. O pranto é semelhante à fonte que nos lava o coração por dentro, mas entendendo nesse aspecto, as lágrimas são benditas.

6 Evitemos, querida mamãe, a tristeza destrutiva, essa que fica em nós parecendo moléstia escondida.

7 Até a nossa própria dor pode ser traduzida por música. A música da caridade.

8 Aqui, sua filha recorda que as notas na pauta são semelhantes às lágrimas, gotas de amor e de aflição, de alegria e de esperança que o coração vai colocando nas linhas da vida.

9 Depois, mãezinha, se quisermos transformar a composição em melodia, é sairmos de nós e auxiliar os outros.

10 Veja a senhora que a sua filha tem progredido um pouquinho. Mas isso, meu pai, não quer dizer que já venci. Falamos de nossos encargos, muitas vezes para saber cumpri-los. Esta é que é a verdade.

11 Mas estou num curso de aperfeiçoamento pessoal, quase severo, se não fosse repleto de amor.

12 Devo melhorar-me, a fim de ser mais útil em casa, agora que a provação lhes pediu quatro filhas de uma só vez. Aqui, procuro incluir a querida prima que com Jussara e Ana Paula se transferiram comigo de residência.

13 A princípio, querida mãezinha, a dor foi enorme. Ouvira muitas falas e anotações sobre o Mundo Espiritual.

Entretanto, logo depois dos vinte anos na Terra, a gente quer uma casa e um jardim feito de amor, que seja apenas nosso. Perdoem se digo isso. Quero apenas ser verdadeira.

14 Sabia que estávamos em nosso lar como sendo a melhor mansão do mundo, mas a gente não consegue mudar o coração, quando o coração quer voar para fora do peito. Por isso é que não me foi fácil a retirada espiritual dos sonhos que eram assim tão meus.

15 Creiam, no entanto, que a dor mesmo, a dor dos acidentes terrestres, como a imaginamos, não sentimos.

16 Um choque como se uma dinamite rebentasse sobre nós, e depois do choque com o anseio inútil de me levantar, um torpor que não sei descrever.

17 Depois de algum tempo, que igualmente não sei calcular, chegaram pessoas.

Meu avô Izaltino e meu avô Militão se mostraram para mim, dando-se a conhecer.

18 Um senhor de nome Histórico estava com eles e nos amparava.

Outra senhora de nome Ernestina, creio que Milagres, Ernestina Milagres, me acalmava.

19 Deram-nos passes e oraram.

Acordada, notei que as irmãs dormiam ainda.

20 Fomos removidas e tratadas, e estamos por enquanto no Hospital-Escola, em que aprendemos reajuste e serenidade.

21 A gente aí no mundo toma aulas de matemática, de línguas, disso e daquilo… Pois aqui somos matriculados em paciência, esperança, fé em Deus e fé em nós mesmos, tantas matérias com as quais no corpo da Terra nem mesmo sonhamos.

22 Estamos bem.

Não chorem mais, papai, tudo vai ser feito pelo melhor.

23 Agora, depois de alguns meses aqui, já consegui alguns ensinamentos e experiências sobre passado e reencarnação.

24 Não me peça agora qualquer apontamento mais amplo do assunto.

Posso, no entanto, dizer que em tempos outros, algumas vezes, pessoas cultas e nobres provocaram desabamentos, com plena ciência de que agiam contra as leis estabelecidas pela Justiça Divina.

Deixo apenas este pontinho aqui para que a mãezinha se conforte.

25 Agora, estudo e estudo sempre.

Aquela filha professora que ficava tão feliz com elogios em casa, é hoje uma aluna que se renova.

26 Mamãe, continue procurando o caminho da luz. A senhora já o encontrou no amor ao próximo a que está sendo convidada pelos nossos irmãos em Juiz de Fora. Sei que as suas mãos queridas nasceram para o bem, mas, presentemente, é necessário que nós nos encontremos no amparo às filhas e filhos e irmãos nossos em lutas maiores do que as nossas.

27 Agradeço as suas palavras e as orações em nosso favor, como também agradeço ao papai as explicações e preces conosco, auxiliando-nos a entender.

28 Mãezinha, o nosso maior receio, a princípio, foi o de que a senhora viesse para cá por conta própria. Vimos o seu desejo de tudo deixar aí para acompanhar-nos. Reconheço que a formação cristã que a senhora recebeu não lhe permitia pensar em suicídio, mas aquele anseio de reencontro era perigoso. Hoje, ficaremos mais tranquilas.

29 É preciso lutar, mamãe, suportar as nossas provas e abençoar todas elas. É preciso aceitar a vontade do Senhor que é bondade constante para conosco.

Tudo recebemos do Céu como sendo o melhor que nos sucede.

A inconformação é que taxa com sofrimento maior as ocorrências difíceis do mundo.

30 Um dia, nós nos reencontraremos de novo, mas pode acreditar que espiritualmente não nos separaremos.

Papai necessita de sua presença, de seu amparo, de seu amor.

31 Agradeço a Deus a oportunidade que recebi.

Muitas afeições estão conosco, incluindo minha avó que tem sido para mim um anjo bom.

32 Querido papai e querida mãezinha, agora devo traçar o fim desta carta.

Jussara e Ana Paula não sabem que vim. Ainda não podem facear a tarefa de que me encarrego hoje.

Com as bênçãos dos nossos, aqui termino.

33 Querido papai e querida mãezinha, recebam todo o coração da filha sempre reconhecida que, mais uma vez, pede a Jesus por nossa felicidade, Tereza Cristina NÃO HÁ DE FATAL, SENÃO O INSTANTE DA MORTE Servindo-nos de dados fornecidos pela revista O Médium e por um folheto organizado pelo Sr. Detzi de Oliveira, residente à Avenida Rio Branco, 3681, apartamento 301 — Juiz de Fora, Estado de Minas Gerais, pai de Tereza Cristina, passemos à análise da mensagem que fez se esgotassem todos os exemplares do mês de março de 1976 da citada revista (a de nº 428). “Aos trinta minutos do dia 18 de janeiro de 1974,” — informa o Sr. Detzi de Oliveira — “um andar do prédio em construção pertencente ao Hospital Oncológico, caiu sobre a casa n.º 78 da Rua Santos Dumont, em Juiz de Fora. Em consequência do desabamento, quatro meninas desencarnaram: Ana Paula (9 anos); Jussara Maria (20 anos) e Tereza Cristina (22 anos), filhas do casal Detzi de Oliveira e Luzia Moreira de Oliveira, e ainda Márcia Dias Mattos (13 anos), sobrinha do mencionado casal, e que residindo no Rio de Janeiro, aqui passava suas férias escolares. O fato que abalou toda a população de Juiz de Fora, dado à sua trágica extensão, volta novamente a ser comentado, em decorrência das mensagens recebidas do mundo espiritual. Tereza Cristina — a filha mais velha — manda para seus pais, na cidade de Uberaba. Tais comunicações se deram através da psicografia de Francisco Cândido Xavier, que pessoalmente desconhecia quaisquer dados sobre o acidente. Na oportunidade, através de uma prece fervorosa, agradecemos as bênçãos recebidas de Deus, bem como ao Mestre Jesus que nos têm amparado e nos têm dado forças suficientes para caminharmos cumprindo nossas missões.

Ao nosso irmão Francisco Cândido Xavier, que possibilitou-nos, através de sua mediunidade, recebermos as mensagens que abaixo damos conhecimento a todos que constantemente nos pedem, a nossa ternura e o nosso carinho, acompanhados de nossas orações, pedindo ao Criador que o conserve na face da Terra por muitos anos, a fim de que ele possa continuar a sua grandiosa missão, difundindo para nós os ensinamentos do Cristo.” Depois de demonstrar sua imensa alegria através da seguinte quadrinha:

A mensagem de Tereza — Bálsamo consolador, — É a essência da pureza E a luz do Criador.